27. A Contribuição Ambiental que Soma de Sávio Teixeira

Data da publicação: 21/02/2013

Narração: José Diniz

Domingos SÁVIO Teixeira é filho de Manoel Fernandes Teixeira (Nenéu) e de Nair Almeida e Silva Teixeira.  Ele nasceu em Dourados, MS, cidade onde também  nasceram seus  16 irmãos. Sávio é funcionário do Banco do Brasil, mas é também um ambientalista e montanhista de coração.

Sávio é  neto de Rita Alves Diniz Teixeira  e José Fernandes Teixeira. Observe a seguir no esquema, Rita, também conhecida por Ritinha, era irmã de Seubino, por parte do pai, Manoel Félix Diniz. Veja os entrelaçamentos e os parentescos das famílias, Teixeira  e Diniz, da cidade de Cedro, Centro Sul do Ceará.

A família Teixeira do Sítio Parnaíba tem histórias grandes e fantásticas

“Sávio diz”: Aqui uma foto do meu pai, meus tios  e a minha avó, Ritinha.

Na foto, a partir da  (E) Luiz Teixeira (“Meu cunhado, diz o narrador desta crônica”), Sérgio,

João, Nenéu, Teixeirinha, Fernando, Moacir, Amilton. Sentados: Ritinha; Dica, Toínha, Terezita, Marieta, Nilton, Brígido.  Cedro-CE, 1941.


“Fala o narrador desta crônica”:que morou no sítio Canadá, área rural de Cedro, com seus familiares, até a idade de 16 anos. Nesse período de tempo, ele estava sempre em contato com Tia Ritinha, como nós  a chamávamos. Os Teixeira residiam ali  perto, no Sítio Parnaíba. Tia Ritinha era uma pessoa admirável. Veja uma de muitas das suas histórias. Ficou viúva na década de 1930, e teve que administrar uma grande família. Criou em casa o sistema de mutirão.

“E continua o narrador da crônica falando da família dos Teixeiras...”: Todos tinham atividades; uns eram mestres “Cooks” do dia, na casa, os outros faziam os demais serviços domésticos. Prescindiam a iniciação das atividades do mutirão: Orações de agradecimento a Deus pelas coisas  boas da vida; alguns cantos religiosos eram ali ensaiados. Com o tempo, Nenéu, o mais inteligente (segundo seu irmão Teixeirinha), pediu à mãe, Rita, para comprar uma sanfona. O instrumento foi um suporte para que eles formassem logo uma banda e aprendessem  a tocar e cantar. Com pouco tempo já estavam animando os  sertões das cidades ali por perto. Aprenderam também a arte de tear (tecelagem) e começaram a fazer redes, punhos da própria rede e outras prendas domésticas. Foi assim que tia Ritinha transformou uma família pobre numa rica,  tipo de classe média, à época. Com isso pode dar uma educação melhor aos seus filhos.

“O mano mais inteligente, segundo o irmão Teixeirinha”, Nenéu muito inteligente - pessoa autodidata, logo assimilou  as tarefas domésticas, como também, a arte de Tecelagem. Aprendeu a tocar sanfona e a cantar, e ensinou aos outros da família.


           "Teixeirinha diz": Em 1942, Nénéu se casou-se com Nair e foram morar no Mato Grosso. Foi quando me tornei tocador de fole, de verdade, ganhei muito dinheiro, juntei uma "grana" e me tornei comerciante em Cedro. Depois, optei pela construção civil. Na cidade de Cedro construí cento e uma (101) casas, e ainda construiu 36 casas em Fortaleza.












"Teixeirinha continua...": Em 1950 entrei na política e me elegi vereador. Novamente, elegi-me em 1958. Em 1962 me elegi vice-prefeito de Cedro, em 1966 fui eleito novamente, vereador. Fiz concurso e me tornei fazendário. Aposentei-me em 1987 como auditor fiscal do Tesouro Estadual do Ceará.

"Teixeirinha com um olhar respeitoso direcionado para o infinito... diz": Nenéu ... casou com Nair, foi para o Mato Grosso e tornou-se o desbravador da Colônia Federal de Dourados. Catequizou índios, tornou-se topógrafo e loteou trinta (30) léguas de colônia que até hoje é considerado o maior assentamento do Brasil.


DADOS HISTÓRICOS DO BONDINHO DO PÃO DE AÇÚCAR



A criação do Teleférico nos Morros da Urca e do Pão de Açúcar deve-se ao Engenheiro, Augusto Ferreira Ramos. Ele nasceu na cidade de Cantagalo–RJ, em 1860.

Augusto começou a imaginar essa bela obra em 1908. Antes de iniciar a obra, visitou obras similares, em vários países.

 A inauguração do bondinho se deu em 27 de outubro de 1912. O teleférico só subia da Praia Vermelha até o morro da Urca. Três meses depois, em 18 de janeiro de 1913, já ia até o alto do Pão de Açúcar.

É o principal ponto turístico do Brasil, um dos mais visitados do mundo.



O Reflorestamento das faces Leste e Sul, do Pão de Açúcar

Para chegar à área de reflorestamento, é preciso caminhar até o final da Pista Cláudio Coutinho, que circunda parte do Monumento Natural dos Morros do Pão de Açúcar e da Urca, no Rio de Janeiro. No final da Pista, segue-se uma trilha, com indicação das áreas de reflorestamento. Após cerca de 30 minutos de caminhada, na trilha, chega-se à primeira das três áreas em recuperação (duas na face leste e uma na face sul do Pão de Açúcar).

Face leste do Pão de Açúcar que estar sendo recuperada pelos voluntários.

É conveniente lembrar que as atividades de reflorestamento mencionadas são monitoradas e supervisionadas pelo o IBAMA e pela a Secretaria Municipal do Meio Ambiente da Prefeitura do Rio de Janeiro.


Alguns Ipê amarelo, ipê rosa, pau-brasil, embaúba, crindiúva, pitangueira estão aí sufocados pelo capim colonião. O solução é fazer a limpeza e arrancar o capim pelo tronco e com as raízes. Se não fizer assim, ele nasce mais revigorado.

Vejam os links aqui, referentes ao reflorestamento da mata nativa do Pão de Açúcar.

Sávio Teixeira promove também mensalmente, sempre no 1º domingo do mês, um mutirão com voluntários que queiram viver a experiência do plantio, num trabalho também de disseminação do conceito de sustentabilidade, educação ambiental e cidadania, "diz Sávio".

Os mutirões são também uma oportunidade de intercâmbio entre os participantes nas áreas ambiental, de sustentabilidade, mobilidade urbana e outras que sejam de interesse comum e tenham o objetivo de melhorar a qualidade de vida,"afirma Sávio Teixeira".



Aqui Sávio agradece a Secretaria Municipal do Meio Ambiente a distinção pelo Diploma de Honra ao Mérito Parceiro Ambiental.

O perfil dos voluntários para o mutirão é muito diversificado. Temos desde crianças de 8 anos até idosos de 80 anos. Desde que consiga fazer a trilha, todos são bem-vindos e podem dar sua contribuição para a recuperação ambiental da área.

Muitos desses voluntários são acadêmicos das universidades do Rio e de outros estados do Brasil. Alguns estrangeiros também costumam aparecer no mutirão.



FOTO A. Em primeiro plano, à esquerda, o desembargador aposentado, José Carlos Murta Ribeiro. Atrás dele, de blusa azul, a esposa, Carol Murta Ribeiro. No centro, de blusa listrada, a desembargadora aposentada, Maria Tereza Carcomo Lobo; (eles carregam mudas de pau-brasil). À direita, em primeiro plano, Sávio. Atrás de Sávio, Fernando Travassos; atrás dele, de boné branco e vermelho, o Sr. Sanjeev Choudhury, cônsul do Canadá no Rio de Janeiro.


A foto B mostra um grupo de jovens intercambistas estrangeiros (da Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, EUA e Suiça), da parte jovem do Rotary Club

Nos mutirões, temos ainda profissionais liberais, professores, ambientalistas, montanhistas gostam muito de participar da missão de reflorestamento.

Há também aqueles que logo se apaixonam pela tarefa e ficam engajados nas equipes ambientais.



Nesta foto, Sávio está recebendo o PIN do Rotary Club do Rio de Janeiro, pelo desembargador José Carlos Murta Ribeiro, presidente e Ana Lucia de Albuquerque de Souza e Silva, diretora da Comissão de Projetos de Prestação de Serviços.



Mutirão transportando mudas lá se vão eles na direção do costão leste, do Pão de açúcar. O garoto que aparece na foto é João Carlos Martins, filho de um amigo de Sávio que estava no mutirão (Cláudio Martins). João Carlos plantou várias mudas, nesse dia.



Domingos SÁVIO Teixeira é um dos muitos ambientalista que exerce atividades voluntárias de recuperação ambiental, na cidade do Rio de Janeiro. Ele, por exemplo, adotou áreas ambientais nas faces Leste e Sul do Pão de Açúcar. Desde 2002 que vem fazendo o reflorestando, numa área de cerca de 3 hectares nas encostas do Morro, antes ocupadas pelo terrível capim colonião (Panicum Maximum).

"Ele fala": É um trabalho individual, voluntário, executado nos fins de semana e feriados. É feito com grande prazer, apesar de ser de difícil execução. Ser montanhista me ajuda, pois o trabalho é efetivado em áreas de encosta e de difícil acesso.



Algumas árvores, com cerca de dois anos, já começam aparecer, conforme se vê nesta fotografia;

Ipê amarelo, ipê rosa, aroeira pimenteira, amendoim bravo, pau-brasil, embaúba, crindiúva, araçá da praia, ingazeiro, quaresmeira, pitangueira, babosa branca, paineira rosa, angico branco, dentre outras espécies.

Surpresas e encontros engraçados

Foi uma agradável surpresa encontrar esse exemplar de pau-brasil, com tronco comprido e retilíneo de grande altura. Ele está numa trilha, no meio da Mata Atlântica, que fica debaixo do famoso bondinho que liga a pedra do Pão de Açúcar ao Morro da Urca.

Uma voluntária se dispôs a fotografar o mutirão, já na área de plantio. O grupo se perfilou para a foto e a fotógrafa escolhia o melhor ângulo quando percebeu que estava em cima de um grande formigueiro. Corre-corre, desespero, muitas risadas, e um novo mutirão foi necessário para espantar todas as inúmeras formigas agressivas que ferroavam as pernas da incauta voluntária.



O amigo que plantou essa árvore tem um grande orgulho pelo feito e costuma abraçá-la e beijá-la.

Outros encontros também engraçados

Em outra ocasião, Sávio estava com um grupo de voluntários capinando uma área, fazendo a manutenção do plantio. Trabalhávamos ao lado de uma loca de pedra. De repente, abelhas começaram a sair do buraco na rocha e aí, salve-se quem puder. Algumas ferroadas botaram todos pra correr, só que estávamos numa encosta íngreme. O sufoco foi grande pra fugir das agressivas abelhas, fugindo pela encosta. Depois, claro, muitas risadas.

Você poderá encontrar, também, nos morros ali, uma Capivara igual a essa, que pesa cerca de 40 a 50 quilos. A descoberta foi motivo de uma reportagem no jornal Estado de São Paulo, com o título " Capivara no Pão de Açúcar", com data de 14 Jan 2009.


TIÊ-SANGUE macho



http://www.flickr.com/photos/22551294@N08/6232728347/

À medida que a mata nativa vai surgindo, a fauna parece nos brindar, com suas espécies de animais e pássaros de rara beleza.



"Sávio Teixeira fala com orgulho... . Adotei e estou reflorestando, desde 2002, cerca de 3 hectares de encostas (faces leste e sul do Pão de Açúcar), que antes ocupadas pelo terrível capim colonião.



As queimadas incomodavam o Bancário Sávio Teixeira. Depois das queimadas, o capim nasce mais revigorado.



Nesta foto estão: Cissa Biasoli (boné azul), Sérgio Rozencwaig, Sávio e Débora Lucas.

A vegetação da Mata Atlântica aos poucos vai surgindo.



O capim colonião é extremamente versátil e agressivo, fixando-se em pequenas camadas de solo e adaptando-se até mesmo a ambientes hostis. É de fácil combustão, sendo este um dos principais prejuízos que causa ao ambiente natural, pois a queimada destrói a vegetação nativa, ampliando sua área de abrangência, num ciclo extremamente nocivo ao meio ambiente.


Após a limpeza com foice e enxada, iniciamos o plantio.

Às vezes, chove ou cai garoa, mas nós estamos ali e continuamos nas tarefas do dia.

As mudas são doadas pela Prefeitura do Rio de Janeiro. E nós temos um local de estocagens, próximo à nossa trilha de acesso à área de reflorestamento.

Em situações de intempéries como as aqui mencionadas, nós redobramos os cuidados, em face dos escorregões. A inclinação do terreno acentuada aumenta os riscos e complicam um pouco nosso trabalho.

Nos dias em que vou sozinho, o trabalho fica mais solitário, mesmo assim é gratificante, "Diz Sávio".




À medida que vamos trabalhando na reconstituição da mata nativa, e a flora se reerguendo, observa-se que os habitantes da fauna vão também aparecendo. Veja alguns exemplos, a preguiça escalando uma bela árvore, nas proximidades do reflorestamento. Muitos pássaros também vão nos visitar, como os tiê-sangue, sabiás, anus, rolinhas, araras, entre muitas outras espécies.


As mudas vão crescendo e dando sombra, que é um dos inimigos do Capim Colonião. Alguns exemplos dessas árvores da Mata Atlântica e que dão boas sombras que sufocam o capim: ipê amarelo, ipê rosa, aroeira pimenteira, amendoim bravo, pau-brasil, embaúba, crindiúva, orelha de negro, palmeira jerivá, pau jacaré, pau d'álho, araçá da praia, ingazeiro, quaresmeira, pitangueira, babosa branca, paineira rosa, angico branco, dentre outras espécies.



Algumas dicas que usamos para acelerar a recuperação do solo e para combater o capim colonião.

Buscamos recompor as espécies nativas. Essa é a orientação da Prefeitura do Rio de Janeiro. Num primeiro momento, para acelerar a recuperação do solo, a Prefeitura nos forneceu sementes de guandu (ou guandú), uma leguminosa de rápido crescimento, com ótimo resultado. Utilizamos esta espécie exótica(africana) somente neste estágio do processo.

O reflorestamento ajuda a preservar na medida em que evita erosão, recompõe o solo, atrai a fauna, incluindo a avifauna (conjunto das aves de uma região...) e toda a gama de microfauna. Todo esse processo somado é extremamente rico, contribuindo para um melhor panorama, decréscimo da temperatura, acréscimo de ambiente para os pássaros e pequenos répteis, etc. Apesar do capim também preservar o solo, ele é nocivo sob vários aspectos: é exótico, de fácil combustão, agressivo com a flora nativa(ele também é conhecido como capim navalha), ferindo as plantas que tentam crescer junto a ele, e empobrece o solo.



"Diz o narrador da Crônica", estive no Rio de Janeiro, agora no início da 2ª quinzena de Jan/2013. Confesso que não tive tempo para me engajar no mutirão de Sávio. Mesmo assim, fiz aquele passeio agradável do bondinho do Pão de Açúcar.

Lá de "Ribão" mostrei pra meus familiares o tamanho da sua tarefa de reflorestamento...e "dizendo-lhes que seu trabalho fica mais nas faces Leste e Sul, daquele morro. Eles ficaram encantados com a obra que você está edificando no costão do morro. Gostaram e desejam ir plantar uma árvore, com o seu mutirão, numa das oportunidade futuras dos passeios ao Rio.

Admiraram a beleza do verde agradável da Mata Atlântica que ainda resta e circunda os morros cariocas.

Acharam também fantástica a obra de engenharia do teleférico do Pão de Açúcar, do engenheiro brasileiro Augusto Ferreira Ramos.

Parabéns, Sávio, pela sua obra de reflorestamento. Rogo a Deus que lhe dê sempre entusiasmo e coragem para continuar esse valioso trabalho. É uma obra grande que soma para melhoria da flora e da fauna desse cartão postal do Rio.

Seus mutirões vão semeando intercâmbios de experiências e aculturando pessoas para práticas desses trabalhos ambientais em outros recantos do nosso país, até no exterior. É um trabalho de bom nível de cidadania.

Seu trabalho se soma aos que aqui foram exemplificados no PPS. Lembram-me também feitos e legados positivos - herança que a família Teixeira tem passada para os seus descendentes.







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José Diniz é oficial aposentado da Aeronáutica (coronel), diplomado em Administração de Empresas e pós-graduado pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica-ITA, com tese em Pesquisa Operacional, área de ciências.

Foi secretário da comissão de construção da Base Aérea de Anápolis-GO; chefe do Serviço de Processamento de Dados da Presidência da República (1988-89); e ex-diretor da Faculdade Alvorada do Distrito Federal. Exerceu o magistério como professor contratado da UnB no Curso de Administração.

Por último, foi professor na graduação e na pós-graduação nos cursos de Administração de Empresas do Uni-CEUB e na AEUDF.



Narração e Criação - "José Caubi Diniz"

Brasília, 21 de fevereiro 2013


Música: Vangellis - Conquest of Paradise - Dana Winner