34. Nossos "Eus" Resilientes

Data da publicação: 23/06/2008

 Autor: José Diniz

A vida é um grande baile em que almas se encontram, se esbarram, se unem e se separam...

Muitas pessoas consultam suas almas, preocupadas, porque se sentem como se fossem várias. Observam as contradições existentes entre seus diferentes "eus". Eu e a outra, eu e eu mesma, meus vários "eus". Uma quer e a outra proíbe; uma cria e a outra destrói; não somos apenas duas, somos múltiplas pessoas contidas em nós mesmos.

Ribeiro Neto, por exemplo, amigo do autor deste artigo, se insere muito bem no mundo desses muitos “eus”. Ele é um militar veterano da Força Aérea, que nasceu no dia 10 de setembro de 1937, na cidade de Cruzeiro do Sul, no Acre. Sua vida é um legado de muitas histórias positivas. Pessoa simples, oriunda de um seringal, o quinto filho do casal de seringueiros, José Ribeiro e Maria Ribeiro. Seus irmãos: Edmundo, Nair, Terezinha, Francisco e Clóvis Ribeiro. Estudou em seminário e, aos 17 anos, ingressou como soldado da Aeronáutica, na Base do Galeão, no início de 1956. Depois resolveu ser mecânico de avião.:

Passou pelos ensinamentos da Aeronáutica, na Escola de Especialistas da FAB, em Guaratinguetá-SP. Inicialmente, o Aluno 57-549 e depois o Sargento Q.AV Ribeiro Neto. Com a energia própria da idade, orgulhava-se em dizer que era um expert, um conhecedor da mecânica e funcionamento de aeronaves T6, C-47, C-45, B-25, B-26 e até da linha a jato, aviões como F-80, T-33, helicópteros H-1H. Participou inclusive do trasladado dos helicópteros H-1H, dos Estados Unidos da América do Norte, como tripulante, e dos HS-125, que até recentemente voava, transportando os ministros e outras autoridades do Governo Federal, no País e no exterior. Um amante exacerbado da FAB, disciplinado, inteligente, estudioso, tudo isso o fez tornar-se um profissional notável. Ele é um daqueles que soma, positivamente, ainda hoje, como alma humana e como profissional militar. Ribeiro Neto se ateve à escalada de vida castrense por quase quarenta anos de serviços prestados e registrou cerca de seis mil horas voadas como “aeronavegante” pertencente às equipes de vôo da Força Aérea Brasileira.

Nesse ínterim diz que teve grandes sustos no exercício da profissão. Uma vez participava de manobras militares da esquadrilha de B-26, nos céus de Goiás, quando se deparou com uma forte tempestade que “espalhou intempestivamente” metade daquele grupo de aviões, pondo, sem comunicação, no vasto espaço aéreo. Mas, graças à experiência de todos ali, o corrido teve um final feliz. Alguns aviões conseguiram pousar na Base Aérea de Campo Grande; outros, em cidades do estado de São Paulo, e, o que Ribeiro Neto estava, pousou no Aeroporto de Brasília. Ufa! Que bom, tudo finalizou certinho; salvaram-se todos.

As histórias de Ribeiro são muitas. Pela sua familiarização com aviões de pequeno porte, certa vez, ele e um experiente piloto foram escolhidos para transportar uma aeronave do Campo dos Afonsos-RJ, para Fortaleza, que havia sido doada para ficar num pedestal da entrada principal de uma cidade do interior do Ceará. Era imensa a expectativa na cidade. Mexia com tudo ali: alvoroço das autoridades locais, ansiedade de uma grande festa; “reboleava” tudo, ali. 

Mas uma grande tempestade nos céus de Mossoró, durante o traslado daquela pequena aeronave, atirou-a em direção ao mar – por sorte, próximo de um barco de pescadores que, imediatamente, se envolveram numa ação de salvamento, em princípio usando as cordas do barco de pesca, antes mesmo que o pequeno avião sumisse inteiramente, em direção ao fundo do mar. As ações dos homens do mar eram rápidas e exercidas com a familiaridade de quem vive nas águas oceânicas. Uma “turminha da brincadeira” dizia que Ribeiro Neto gritava insistentemente para os pescadores: “Salvem primeiro o piloto, que é mais antigo”... É lógico que pedia para que salvassem primeiro o piloto, por ele não saber nadar.

Posteriormente, o avião foi resgatado, consertado e, finalmente, entregue, com muita festa, à cidade que tão ansiosamente o esperava.

O homem é assim mesmo, é ser teimoso, mas é desse jeito que as coisas da humanidade vão pra frente.

Nesses seus muitos “eus”, e com a alegria de um bon vivant, Ribeiro Neto é bem conhecido pelas suas histórias e por ser um contador de piadas, além de um grande agregador de amigos. No início da década de 1990, ele se aposentou, como Capitão R1. Suas últimas atividades exercidas no serviço ativo da Força Aérea, foram no Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (Cecomsaer), na área de Jornalismo e Comunicação. Na ocasião, chefiava a Seção de Editoração e Divulgação daquele Centro de Notícias da FAB.

Hoje, Ribeiro Neto mora em Brasília, na Asa Norte, com a sua família, composta pela sra. Jacilda Ribeiro e as filhas, Clarissa e Camila Ribeiro. Ele diz, com muito júbilo, estar feliz por fazer parte das amizades do autor deste “conto”.

Incentivado por este autor, Ribeiro Neto resolveu contar uns causos de sua vida de “aeronavegante”, da época em que ainda estava na ativa. Dois de seus Artigos foram escolhidos para publicação: Zé Preá e O Índio Me Deixou Nu. Essas Publicidades constam, hoje, dos registros da Biblioteca Virtual, I Volume de Contos e Histórias do Site Reservaer: www.reservaer.com.br.

Brasília, 23 de Junho de 2008


Música: Canção do Expedicionário