35. As Bailadas da Vida

Data da publicação: 29/08/2007

 Autor: José Diniz

No início do século XX, as autoridades francesas solicitaram a Alfredo Binet que criasse um instrumento pelo qual pudessem prever quais crianças teriam sucesso nos liceus parisienses. O instrumento criado por Binet testava a habilidade das crianças nas áreas verbal e lógica, já que os currículos acadêmicos dos liceus enfatizavam, sobretudo, o desenvolvimento da linguagem e da matemática. Esse instrumento deu origem ao primeiro teste de inteligência, Quociente de Inteligência (QI), desenvolvido por Terman, na Universidade de Standford, na Califórnia: o Standford-Binet Intelligence Scale.

E, no final da década de 1980, o psicólogo da Universidade de Harvard, Howard Gardner, questionou a visão de Alfredo Binet sobre o QI e a inteligência, enfatizada somente nas habilidades lingüísticas e lógico-matemáticas (QI). Segundo Gardner, todos os indivíduos normais são capazes de uma atuação em pelo menos oito áreas diferentes e, até certo ponto, independentes áreas intelectuais. Essas áreas encobrem nossas inteligências, oito no mínimo:

1. Lógico-Matemática: refere-se diretamente ao pensamento científico, ao raciocínio lógico e dedutivo. Matemáticos e cientistas têm essa capacidade privilegiada.


2. Lingüística: está associada à habilidade de se expressar por meio da linguagem verbal, escrita e oral. Advogados, escritores e locutores a exploram bem.

3. Espacial: associa-se à orientação no espaço, à capacidade de formar um modelo mental e utilizá-lo para seguir uma direção. É importante tanto para navegadores como para cirurgiões ou escultores.

4. Corporal-Cinestésica: está associada aos movimentos do corpo, que podem ser instrumento de expressão. Dançarinos, atletas, cirurgiões e mecânicos se valem dela.

5. Interpessoal: refere-se à capacidade de se relacionar com as pessoas, de entender as intenções e os desejos dos outros e, conseqüentemente, de se relacionar bem com eles. É necessária para vendedores, líderes religiosos, políticos e, o mais importante, professores.

6. Intrapessoal: está associada à capacidade de estar bem consigo mesmo, de conseguir administrar os próprios sentimentos, de se conhecer e de usar essas informações para alcançar objetivos pessoais.

7. Musical: refere-se à capacidade de se expressar por meio da música, ou seja, dos sons, organizando-os de forma criativa a partir dos tons e timbres.

8. Naturalista: está associada à capacidade humana de reconhecer objetos na natureza.

A teoria de Gardner deu-nos informações significativas, como a que algumas das inteligências têm origem biológica e outras podem ser desenvolvidas, aperfeiçoadas, lapidadas e direcionadas para objetivos desejados. Foi com essa teoria, também, que nós passamos a conhecer melhor o Quociente Emocional (QE) e a sua importância na aferição das habilidades culturais. O controle das emoções é o fator essencial para o desenvolvimento da inteligência do indivíduo. A Inteligência Emocional tem muito a ver com o talento interpessoal e intrapessoal do homem. O fundamental não é quantas inteligências temos, mas o desenvolvimento de todas elas segundo nossas aptidões.

Em dezembro de 1998, assisti a uma palestra no auditório da Universidade de Harvard, na cidade de Boston – USA, no Curso de Mestrado: “Masters of Public Health”, (Mestrado em Saúde Pública, com Especialização em Saúde Internacional), na qual o notável Professor Howard Gardner abordava exatamente o tema das Inteligências Múltiplas. A palestra era ministrada em inglês para 90 alunos daquela universidade, em que mais da metade era composta de estrangeiros de 40 países (a filha do autor deste artigo, Síglia Diniz, era a única brasileira matriculada no curso). Na ocasião, havia cerca de 100 ouvintes ali, que também participavam daquele importante evento do curso. O leitor poderá assistir aqui no Brasil essa matéria pelas teleconferências da TV Cultura de São Paulo. Algumas fitas e videoconferências são comercializadas por livrarias, lojas e outros locais de atividades afins.

Sabe-se, hoje, que as pessoas podem ser selecionadas pelas inteligências, pelos talentos e afinidades nas áreas educacionais aqui mencionadas. Elas podem ter maior potencial em uma, duas ou mais inteligências; e “bem pouquinho” talento em outras. O “ensinar, treinar, desenvolver e aperfeiçoar” até que seriam bem mais facilitados e mais produtivos se dispuséssemos das metodologias certas para ensinar os diferentes tipos de inteligência. Quem não ouviu expressões, no meio de nossa “parentada”, em nossas escolas ou no local de trabalho do tipo: “Fulano é muito inteligente!”; “Os filhos de Beltrano? Hum! Como são inteligentes!”?

No site www.seubino.com.br, têm-se exemplos de nomes de milhares de familiares reconhecidamente inteligentes: políticos, profissionais da área de saúde, engenheiros, advogados, professores, religiosos, militares de patentes baixas e altas, muitos proeminentes e até de renome nacional. Alguns desses personagens já faleceram, mas outros ainda estão “vivinhos” e vivenciam, a toda hora, o fato de serem pessoas dotadas de grandes talentos nas Inteligências Múltiplas. Um pouco de conversa com essas pessoas e logo se percebe estar falando com almas cujas Inteligências estão distribuídas em um, dois ou mais dos talentos aqui mencionados. Não interessa a origem; muitas dessas pessoas são descendentes de pais ou avós que trabalharam e viveram nos sertões brasileiros; ou filhos de pequenos comerciantes. Outros, filhos de funcionários de carreiras iniciantes do serviço público, mas que souberam desenvolver e lapidar seus descendentes, enriquecendo-os, através das gerações que se sucederam. E, hoje, muitos têm posição social bem diferenciada, de sucesso e reconhecimento nacional.

ELES INGRESSARAM NA AERONÁUTICA.

Esta narração destina-se à inserção da interessante história dos filhos de Seu Bino; notadamente, dos que vamos aqui denominar: “Bloco dos Fabianos”: Carlos, Caubi, Antônio, Raimundo e o genro, Otacílio Nascimento – ou simplesmente o marido de Maria Rosalba. Meu pai, Vicente Balbino Diniz (Seu Bino, como era mais conhecido), um comunicador “de mão cheia”, bom de inteligência interpessoal e intrapessoal, como se diz, gostava de ouvir as conversas desses “sábios”, que, quando se juntavam, contavam muitas das suas “historinhas” – inclusive algumas “gafes militares” do dia-a-dia, que todos nós cometíamos em nossas atividades, na Aeronáutica ou na Força Aérea Brasileira – FAB.

Os filhos de Seu Bino foram, aos poucos, se transpondo, como numa bailada, de uma vida de “beiradeiro”, “caipira”, “matuto”, familiarizados com as atividades simples da roça, no Sítio Canadá, para um outro “mundão”, cheio de muitas regras e normas: a vida castrense. Deixavam de ser plantadores de urucu (árvore de corante vermelho) e de batata; deixavam o manuseio da enxada e da foice; abandonavam as tarefas de ordenha das vacas, a rotina de ensinar o Cavalo Alazão a trotar, o exercício de fazer as cartas dos filhos de moradores para namoradas que labutavam como domésticas nas cidades ali pertinho. – ...Oi, Carlos, vamos ser cautelosos, – dizia Caubi – para não exagerar nas “paixões” transmitidas nas missivas, porque poderiam agilizar também a efetivação de um casamento, com prejuízo em mão dupla; para nós, do Sítio Canadá, que perdíamos o morador, e mais ainda para casa do nosso familiar ou gente da amizade de nossos pais, que perdiam uma empregada – às vezes, um anjo da guarda, quase sempre bem familiarizada com as tarefas e os costumes domésticos dessas famílias.

Para as mudanças, à época, a vida militar era uma boa opção e estava mais ao nosso alcance. Era uma “baita mudança”, de um “mundinho de matuto”, que se achava “bem livrinho e numa boa-vida”, para um outro “mundão”, bem diferente, recheado de regras, de disciplina rígida, conduta, obediência, mudança da cultura de paz para guerra. Numa espécie de “esquece tudo, porque o Estado é que manda em você”. Na guerra, o Estado pode, em determinados instantes, se colocar em posição de prioridade e ficar acima dos interesses da família.

E a dureza da seleção para ingressar na Escola de Especialistas de Aeronáutica?

À época, era uma média de 30 a 50 mil candidatos para um número pequeno de vagas, variando de 300 a 500, distribuídas entre 21 especialidades. E que, ao término do curso (da dança), às vezes, restava cerca de 65% do efetivo adentrado inicialmente.

E a saúde, que tinha de ser excelente?

Exigiam altura acima de 1,60m; dentição perfeita; teste de resistência: correr, saltar, atravessar uma passarela de 30 cm de largura, 7m de altura e 50m de comprimento; exames médicos dentro dos padrões internacionais, normalmente em uso para a atividade militar.

1. Carlos Diniz e seus irmãos, Caubi, Antônio e Raimundo, nas décadas de 1930 a 1950, eram pessoas que detinham, fortemente, a cultura do homem simples da roça. E só. Mas, como numa bailada, Carlos resolveu mudar e iniciou seus primeiros passos, estudando com a professora Juracy Moura, no Sítio Umari-Torto, vizinho às terras do seu pai e, depois, no Grupo Escolar de Cedro. Posteriormente, ali mesmo na cidade, cursou a profissão de torneiro mecânico no Senai, nos anos de 1951 e 1952. Trabalhou como torneiro mecânico em Crato, para custear e prosseguir seus estudos. Mudou-se para Fortaleza, onde trabalhou como burocrata e deu prosseguimento aos estudos. Ingressou na Aeronáutica, em 1954, e passou a ser o Aluno 54-631, da Escola de Especialistas de Aeronáutica – EEAr, sediada em Guaratinguetá – SP. Fez o curso e graduou-se no quadro Q.FT, que era obrigado a voar, uma espécie de Assessoramento Aerofotogramétrico da Aeronáutica (método de fotografia aérea do terreno para reconhecimentos topográficos, geológicos, arqueológicos ou militares). Ao terminar o curso, foi removido para a Base Aérea de Natal e, depois, foi transferido para o Parque de Aeronáutica do Rio de Janeiro, onde fixou residência por algum tempo. Deixou a vida militar e fez carreira no ramo empresarial, voltando a morar em Natal. Formou-se em economia e abraçou com muito amor as atividades da agropecuária, fazendo disso o seu nicho principal e porto seguro.

Menção Honrosa. No livro Gente da Gente, do nosso primo em 2o Grau, Cândido Acrísio Costa, página 371, na edição de 1974, Acrísio escreve, (veja no site Seu Bino):

“Esposo e homem de bem. É de justiça ressaltar as virtudes excepcionais de um bom filho, de enteado cheio de ternura, de esposo modelo e pai exemplar, que representa a personalidade de Carlos M. Diniz, segundo nosso conhecimento próprio e de toda família; merecendo, por isto, os parabéns de Gente da Gente, que, sem dúvida, tem prazer em registrar esta família em suas páginas. Carlos, viva tranqüilo, com seus familiares. E conte com uma moção de confiança e solidariedade do grande rebanho humano representado por Gente da Gente. Você é homem consciente, honrado e digno. Contra você a maldade humana não prevalecerá! – Acrísio”.

Carlos Diniz foi e continua sendo, ainda hoje, um dos bons exemplos dos filhos de Seu Bino. Uma invenção boa de pai e de chefe de família. Um modelo raro de pessoa batalhadora, de muita garra no trabalho e na vida empreendedora. Um amigo ímpar e singular dos irmãos, dos parentes mais próximos. Por que não dizer, um grande amigo de todos seus familiares?

No mundo empresarial, Carlos Diniz somou, e ainda hoje soma, novas técnicas modernas à sua empresa de criação de frangos de corte e engorda de gado bovino; fatos que lhe deram notoriedade e o tornaram um referencial no mundo dos negócios agropecuários, no Estado do Rio Grande do Norte.

2. José Diniz, o autor do presente artigo, primeiro aprendeu as tarefas simples da roça, pois era o modelo do meu pai, Seu Bino. No Sítio Canadá, ganhou fama de ser um excelente apanhador de algodão; “apanhador de bajes de feijão e cachos de arroz”; bom na enxada, na foice; destaque como plantador de melancia, abóbora, batata, capim de planta na represa do açude do Sítio Canadá. Tornou-se bom na ordenha dos animais e no desleitar das vacas (a tarefa era exercida a cada dia, nas manhãs, das 4 às 7 horas, com ou sem chuva; ordenhava 20 vacas; no curral, a lama batia acima do joelho, quando chovia). Esse trabalho lhe era muito gratificante, principalmente porque poupava seu pai e alguns dos irmãos de fazê-las; e, mais ainda, porque o cumprimento daquelas tarefas elevava, às alturas, o ego e admiração do seu genitor, Seu Bino.

Mas, em 1953, estava deixando todos aqueles afazeres, inclusive os estudos ali na roça, com as professoras Juracy Moura e Maroly Moura, em face de haver sido selecionado para fazer o Curso de Carpinteiro Eclético, no Senai de Cedro. Exercida a etapa do Curso, nos anos de 1953 e 1954, ficou por algum tempo morando entre o Sítio Canadá, Cedro e Fortaleza, executando pequenas tarefas remuneradas para se sustentar e custear seus estudos (que só eram possíveis no horário da noite ou nos horários de refeições, nos feriados e nos fins de semana). Em 1957, ingressou na vida militar e passou a ser o Aluno 57-227 da Escola de Especialistas de Aeronáutica, em Guaratinguetá – SP. Cerca de dois anos depois, graduou-se na especialidade de Escrevente (Q.EA.ES), uma espécie de Assessor de Administração da Aeronáutica. Cinco anos depois de exercer essa função, mudou para a profissão de Infantaria da Força Aérea. Continuando seus estudos, fez vestibular para a Universidade Estadual do Ceará, onde estudou 3 anos e concluiu o seu curso de Administração de Empresas na Universidade Católica de Goiás, em Goiânia, em virtude ter sido transferido para a Base Aérea de Anápolis, próxima àquela capital. Fez mestrado de dois anos em Pesquisa Operacional, no Instituto Tecnológico da Aeronáutica. Durante o período de mais de três décadas, em que esteve na FAB, morou nas seguintes cidades: Guaratinguetá, Rio de Janeiro, Curitiba, Fortaleza, São Luiz, Anápolis, Natal, São José dos Campos e Brasília. Exerceu atividades na área de ensino na FAB, na Universidade de Brasília, como Professor Convidado, e nas outras universidades do Distrito Federal: UniCEUB e EAUDF. Foi diretor da Faculdade Alvorada de Processamento de Dados, nos anos de 1989 e 1990.

Menção Honrosa. Cândido Acrísio Costa escreveu em 1974, página 372, no Livro Gente da Gente (veja Site Seu Bino):

“José Caubi Diniz, esposo e pai bondoso de três filhos (hoje, quatro filhos), nosso primo bilateral, visto ser casado com a nossa prima Fátima Leite Diniz. Caubi Diniz, oficial da Aeronáutica, militar brioso e cumpridor dos seus deveres, foi um moço que não gozou a juventude, porque de menino passou logo a homem, ajudando a família numerosa do pai!... Parabéns, Caubi, você é sem dúvida uma jóia humana de elevado quilate e merece a estima de Gente da Gente, ... como prêmio à estima que você, Caubi, tem pela irmã do autor deste livro”.

José Diniz, hoje, é militar aposentado da Aeronáutica e mora em Brasília, com a sua família.

3. Antônio Diniz foi um modelo de “caipira” um tanto mais moderno. Pegou uma época com mais liberdade: a agricultura já estava dando seus primeiros passos na mecanização. Já tinha o trator e o Cavalo Pampa, que levava e trazia nos passeios à cidade de Cedro. Aprendia tudo ali, didaticamente, pois Seu Bino já estava sendo doutrinado pela Emater.

Antônio diz:

“Em 1962, numa viagem que fiz para visitar meu irmão Caubi, em Fortaleza, fomos ver a Sra. Cristina Diniz, sogra de Caubi, que morava nas proximidades; e, ali, uma das empregadas da casa, vendo-me um pouco angustiado, pediu-me para ler minha mão e disse: ‘Você vai entrar na Aeronáutica e vai se dar muito bem na carreia militar’”.

Não deu outra, Antônio foi aprovado no ano seguinte como soldado da FAB e passou a ser o Recruta 63-120 da Base Aérea de Fortaleza. Depois, fez curso e foi promovido a Soldado de Primeira Classe. Foi transferido da Base Aérea de Fortaleza para a Terceira Zona Aérea e, depois, para a Diretoria de Rotas Aéreas, ambas unidades sediadas no Rio de Janeiro. Nesta última, Antônio foi promovido à graduação de Cabo, na especialidade de Rádio Telemecanógrafo.

No ano de 1971, Antônio passou nos exames da Escola de Especialistas de Aeronáutica e virou o Aluno 71-089 (22.000 candidatos para 450 vagas). Concluiu o curso de dois anos e graduou-se na especialidade Q.AT.CM, uma espécie de Assessor de Estruturas e Chapas Resistências de Aeronaves. Ele diz que quando chegou à escola ficou surpreso, pois ali encontrou cerca de 2.100 alunos matriculados – inclusive muitos estrangeiros de países latinos e da África. Eram jovens de 18 e 19 anos, selecionados em concurso para fazer 21 especialidades relacionadas ao exercício de atividades na aviação brasileira e na aviação das nações dos estudantes que, ali, faziam curso.

Antônio, quando estava em Belém, trabalhava no Parque de Material da Aeronáutica e teve que viajar muito pela Região Amazônica. Ele era o principal especialista de estruturas metálicas e prestava assistência aos Aviões Catalina que amerissavam nos rios das cidades ribeirinhas ali: Negro, Solimões, Madeira, entre outros; e no conhecido rio Amazonas. Anos depois, ele foi transferido para o Parque de Material de Aeronáutica do Recife, onde permaneceu até ser transferido para a Reserva da FAB.

Antônio morou em Fortaleza, Rio de Janeiro, Guaratinguetá, Belém e Recife. Quando se aposentou na vida militar, foi morar em Natal e trabalhou por alguns anos em serviços técnicos na empresa agropecuária de Carlos Diniz.

Antônio tem muito orgulho em dizer que se deu muito bem na vida militar e ganhou as medalhas militares de Bronze e de Prata, por tempo de serviço. Ele afirma: “Sei que Otacílio e Carlos também têm essas condecorações por tempo de serviço”. E continua: “mas apenas Caubi ganhou as medalhas: de Bronze, Prata, Ouro, por tempo de serviço, e a medalha Mérito Santos Dumont, por relevantes serviços prestados à Aviação.

Antônio, hoje, mora em Cedro, com alguns irmãos e sua mãe, Dona Guedinha (91).

4. Raimundo Diniz foi Soldado Recruta de Segunda Classe e, depois, foi promovido à Primeira Classe. Trabalhava no serviço de transportes da Base Aérea de Fortaleza. Era uma espécie de sabe-tudo. Durante o período que serviu naquela Base Aérea, Raimundo foi motorista e dirigia ambulância, carro de passeio do comando, caminhão, carro de bombeiros, dos pequenos e dos grandes. Dirigiu veículos patrol e sabia operar o carro mais caro da Base de Fortaleza, que tinha vindo da Alemanha: o “Carro Limpa-Pistas dos Aviões”.

Raimundo trabalhou algum tempo como mecânico nos Aviões Xavante. Ele diz: “Eu não soube aproveitar bem as oportunidades boas que a Aeronáutica me oferecia...”. E continua: “Eu não gostava de seguir aquela disciplina rígida da caserna e, às vezes, negligenciava em minhas atividades profissionais; gostava também de ingerir bebidas alcoólicas. E completa “até mesmo depois que havia saído do serviço ativo da Aeronáutica”.

Acho que foram as rezas de Dona Guedinha, sua mãe (minha madrasta)...; pois bem, Raimundo abandonou a bebida e todo modelo de vida errada. Adotou a Associação dos Alcoólicos Anônimos – AAA, como meio e referencial de correção para ele e cumpriu as normas que adotou para ser um bom modelo, do homem correto, na vida certa, ao lado de uma família “bem certinha”. Hoje, ele trabalha no comércio da cidade de Iguatu, com a irmã, Maria Eridan e os filhos dela, que possuem vários supermercados naquela cidade.

Raimundo é o resultado de um projeto de vida que ele próprio elaborou para a sua alma e para o seu bem-estar: “nunca mais vou beber e nunca mais vou ingerir bebida nenhuma; e vou ser uma pessoa de bem para mim e para as outras pessoas”. A partir de então, passou a ser uma pessoa maravilhosa e tornou-se o principal palestrante da Associação dos Alcoólicos Anônimos – AAA da cidade de Iguatu, no Ceará. Há mais de 15 anos que cumpre, prazerosamente, esse valioso exemplo de projeto de vida.

5. Otacílio Nascimento, casado com a filha de Seu Bino, Maria Rosalba, ao ingressar, também, na vida militar, encerra grandes mudanças. Saía daquela vida de garotão estudante, jogador de “peladas” e sinucas, morador da Rua Castro Alves, 424, Joaquim Távora, em Fortaleza, para ser militar da FAB. Deixava, aos 18 anos, de ser aquele meninão mimado, filho do Sr. Manuel Francisco do Nascimento e da Sra. Isaurina Rosa do Nascimento (hoje com 91 anos). Deixava, também, aquela vida boa da esquina do Atlântico, na capital cearense, para mudar e adentrar à cultura “castrense”: da continência formal e da disciplina obrigatória. Na verdade, a nova vida ia apenas começando: primeiro, como Soldado Recruta, em 10 de agosto de 1954, no Centro de Instrução Militar – o “Recruta” 54-135, do CIM, em Natal. Depois, fez concurso e foi promovido a Soldado de Primeira Classe; e, em 2 de maio de 1958, por ter sido aprovado em seleção, teve acesso à graduação de Cabo, na especialidade de Datilografia.

Mas outras mudanças grandes teriam que vir, ainda; entendia que era obrigado a estudar, e muito, para passar no concurso da Escola de Especialistas de Aeronáutica ou, como nós falávamos, Escola de Guaratinguetá ou Escola de Guará. Pois sabia que a concorrência era grande: milhares de candidatos para 3 ou 4 centenas de vagas. Tinha mesmo que mudar! Depois de algumas tentativas, deu certo. Em 1960, Otacílio Nascimento tornava-se o Aluno 60-420 e, cerca de dois anos depois, graduava-se na 138a turma, na especialidade de Q.EA.AL, uma espécie de Assessor de Suprimento e Apoio de Material da Aviação Militar. Agora, sim, sabia que estava num plano de carreira legal da vida militar, com estabilidade e concorrendo às promoções da sua especialidade.

Durante o período em que esteve na FAB, Otacílio morou em Guará, Fortaleza, Anápolis e Natal. Depois que foi para a Reserva, continuou morando na capital Potiguá e passou a trabalhar com o cunhado Carlos Diniz, na área de comercialização de frangos de corte. Posteriormente, Otacílio e seus filhos montaram uma empresa agropecuária com as mesmas atividades, na área de criação de frangos, na grande Natal e nas cidades ali vizinhas, do Estado do Rio Grande do Norte.

O casal Otacílio Nascimento e Maria Rosalba é também um dos portos seguros da família de Seu Bino e Dona Guedinha. A dupla tem seus méritos por constituir-se um bom canal de comunicação entre os entrelaçamentos familiares dos Diniz e a “parentada” toda: Viana, Moura, Teixeira, Costa, Santos, Araújo, Aguiar, Bezerra, Moraes, Brito, entre outras famílias.

Alguém poderá questionar o enfoque dado neste artigo. Sabe-se que essa história é mais abrangente e bem mais interessante. O autor tem consciência que apenas abordou as mudanças das Inteligências Múltiplas do “Grupo Fabianos”, conforme se propunha inicialmente. Portanto, deixando de lado a verdadeira história dos filhos de Seu Bino; no 1o casamento, com Maria Cleta, e no 2o casamento, com Dona Guedinha. Aqui, apenas uma introdução de um conto que poderá ser narrado de maneira bem mais completa, envolvendo a população de cerca de 130 pessoas que compõem a genealogia de Seu Bino, Maria Cleta e Dona Guedinha. Nessa abrangência, sim, entrariam as maravilhosas pessoas das noras, genros, netos, bisnetos, trinetos e tetranetos (no futuro). E, com certeza, para atender bem o coração bondoso de Dona Guedinha, teria que se mencionar também as ex-esposas de alguns dos filhos de Sítio Canadá.

Rogo a Deus para que todos tenham a compreensão e o entendimento deste artigo, que, acima de tudo, busca a união e a valorização dos nossos familiares e de todos os descendentes de Seu Bino.

Obrigado a todos que lerem o presente artigo.

Música: Guajira guantanamera