Data da publicação: 05/10/2005
Joaquim Fernandes Teixeira nasceu, em 13 de Dezembro de 1923, no Sítio Parnaíba; área agrícola de Cedro, região Centro-Sul do estado do Ceará. Ele é mais conhecido, em nosso meio familiar, pela “Alcunha carinhosa” de “Teixeirinha”, uma denominação atribuída, em deferência aos nomes da genealogia da família Teixeira. Ele foi criado trabalhando e estudando, ali mesmo nos Sítios daquela região. Trabalhava, sim, para complementar a renda familiar, e a partir de pouco mais dos 10 anos de idade, já tinha alguma participação como baterista, vocalista, e sanfoneiro (tocador de fole) com os irmãos: Nenéu, Moacir, e depois, Hamilton e Brígido Diniz que, com esses irmãos, criaram uma “Banda” que animava as festas nos Sítios dos Sertões, daquelas terras.
Teixeirinha diz: “Nossas viagens de “Shows” eram feitas usando o transporte de Cavalos”. A “Banda” cresceu e fez sucesso naquele sertão nordestino, e depois, em Dourados, Mato Grosso com Nenéu, e alguns outros familiares. Os ganhos nas festas passaram a ser, também, renda complementar do orçamento familiar. Ele diz, ainda: ”Meu irmão Nenéu, o mais inteligente, aprendeu a fiar para ajudar a nossa mãe, Rita Alves Diniz; e ensinou aos irmãos, principalmente, as mulheres a fazer redes”. Todos da família sabiam cozinhar. Minha mãe criou, assim, uma tarefa que era comum a todos, homens e mulheres - O Cozinheiro do Dia. E, assim, ela conseguiu simplificar e organizar as atividades domésticas daquela grande família.Teixeirinha, também, era inovador em outras atividades. Veja como ele fala de uma das funções, até então, não muito conhecidas entre nós, quando estava completando 13 anos de idade: ... “Nos anos de 1936, durante a construção dos Açudes de São Vicente e Pé-de-Serra de Gabriel Diniz; ... consegui meu primeiro emprego, catando raiz na terra , que os jumentos despejavam das caçambas . Era muito animado, pois eram 30 meninos catando raiz. Existia muita poeira e minha roupa ficava vermelha” , ...
Aqui, começam (as belíssimas): As Histórias de um Vencedor. Um exemplo de pessoa resiliente, como diz no dicionário: forte e preparada para enfrentar às adversidades da vida. As dificuldades serviam como alavancas, que o impulsionavam rumo a novos objetivos. E assim foi uma labuta, de mais oito décadas, que lhe rendeu um patrimônio considerável. De tudo ele foi um pouco: Agricultor, Construtor, Comerciante, Vereador em 3 legislaturas, Vice-Prefeito de Cedro. Nessa caminhada, fez concurso seletivo e ingressou na Carreira Alfandegária e, hoje, no topo da carreira, ele é um Auditor Fiscal Aposentado do Estado. Teixeirinha, atualmente, mora em Fortaleza, e tem muito orgulho em contar a sua “História”, e se sente prazeroso, em dizer que criou, também, seus filhos estudando e trabalhando.
Para melhor entendimento da genealogia de Teixeirinha, alguns gráficos e resumos serão aqui acrescidos para mostrar o relacionamento das Famílias Teixeira Diniz, ali, nos Sítios do município de Cedro. Tudo parece ter mais sentido com o casamento de Manoel Félix Diniz, (Viúvo de Antônia Alves Diniz) que se casou com Tereza Cândida da Costa, (Igualmente, Viúva de Raimundo Nonato Bezerra).
- Manoel Felix Diniz - Casamentos
- Rita Alves Diniz e José Fernandes Teixeira
- Tereza Cândido da Costa - Casamentos
HISTÓRIAS DE TEIXEIRINHA
Avós paternos – João Fernandes Teixeira e Ana Duarte da Costa.
Avós maternos – Manoel Félix Diniz e Antônia Alves Diniz
A minha avó biológica faleceu de complicações de parto de minha mãe, essa é a Razão de eu não saber o nome da mesma. Antônia Alves Diniz, criou minha mãe desde o momento do nascimento. Não posso enumerar os descendentes de Minha avó, porque a mesma foi casada com Miguel da Costa, mas não teve família, sendo a minha mãe a única filha de criação.
Em homenagem a minha avó, minha mãe colocou o nome de vovó, na filha, Antônia Alves Diniz (a Toinha), que foi casada com Mauro Moura irmão de Maria Mariêta Moura, minha esposa. E, assim, tornou-se meu cunhado duas vezes, pois, casou-se com a minha irmã Toinha e eu casei-me com a irmã dele, Mariêta Moura. Portanto, três filhos de Francisco Antônio de Moura, com Floripes do Carmo Moura se casaram com três filhos de José Fernandes Teixeira, com Rita Alves Diniz, irmã de Vicente Balbino Diniz, tio e padrinho de Teixeirinha.
DADOS DA FAMÍLIA DE RITA ALVES DINIZ, IRMÃ DE VICENTE BALBINO DINIZ POR PARTE DE PAI: MANOEL FÉLIX DINIZ
Os irmãos de Rita Alves Diniz do primeiro matrimônio de Manoel Félix Diniz foram oito: três homens e cinco mulheres, no gráfico abaixo mencionado: José Félix Diniz, Antônio Félix Diniz, Pedro Feliz Diniz, Maria Félix Diniz Vieira, Emília Feliz Diniz, Vicência Félix Diniz, Ana Feliz Diniz e Rita Alves Diniz. As fotos aqui, também, fazem parte da Árvore de Costada da Família.Rita Alves Diniz, casada com José Fernandes Teixeira tiveram quatorze (14) filhos, quatro mulheres e dez homens conforme abaixo relacionados: Raimunda Nonata Diniz (Dica), Antônia Alves Diniz (Toinha), Terezita Teixeira Fernandes, Mariêta Teixeira Moura, Luiz Teixeira Diniz, Sérgio Fernandes Teixeira, João Teixeira Diniz, Manoel Fernandes Teixeira (Nenéu), Joaquim Fernandes Teixeira, Fernando Teixeira Diniz, Francisco Moacir Teixeira, Nilton Teixeira Diniz, Hamilton Teixeira Diniz e Brígido Teixeira Diniz.Luiz Teixeira Diniz casou-se duas vezes:
O primeiro casamento foi com Raimunda Vieira da Costa deste casamento nasceram oito filhos.
O segundo casamento foi com Maria Humbertina Diniz do qual nasceram seis filhos: Sérgio Fernandes Teixeira, casou-se com Francisca Gonçalves Torres e deste casamento nasceram nove filhos.
João Teixeira Diniz casou-se com Francisca Juraci de Moura e deste casamento nasceram três filhos.
Manoel Fernandes Teixeira (Nenéu) casou-se com Nair Almeida e Silva e deste casamento nasceram dezesete (17) filhos.
Joaquim Fernandes Teixeira (Teixeirinha) casou-se com Maria Mariêta Moura e deste casamento nasceram seis filhos.
Fernando Teixeira Diniz casou-se com Generosa Cardoso Diniz e deste casamento nasceram seis filhos
Francisco Moacir Teixeira casou-se com Maroli Alves costa e deste casamento nasceram cinco filhos.
Nilton Teixeira Diniz casou-se com Ana Angélica Moreira e deste casamento nasceram cinco filhos.
Hamilton Teixeira Diniz casou-se com Horlandina Cardoso Diniz e deste casamento nasceram seis filhos.
Brígido Teixeira Diniz casou-se com Maria Vilani Bezerra Teixeira e deste casamento nasceram três filhos.
Raimunda Nonata Diniz (Dica) casou-se com Raimundo Nonato de Oliveira e deste casamento nasceram dezoito (18) filhos.
Antonia Alves Diniz (Toinha) casou-se com Joaquim Mauro Moura e deste casamento nasceram sete filhos.
Terezita Fernandes Teixeira casou-se com Alfredo Fernandes Teixeira e deste casamento nasceram onze (11) filhos.
Maria Mariêta Teixeira casou-se com José Maurílio Moura, e deste matrimônio nasceram quatro filhos.
Dois Filhos de Rita Alves Diniz no Mesmo Ano.Um fato interessante aconteceu no ano de 1932. Apesar de ser um ano de seca, uma das maiores do século XX, do casal José Fernandes Teixeira e Rita Alves Diniz nasceram dois filhos nesse mesmo ano: Nilton Teixeira Diniz que nasceu em 04/01/1932 e Hamilton Teixeira Diniz que nasceu em 26/12/1932.
Netos de Rita Alves Diniz. Como ficou difícil colocar o nome de todos os netos de Rita Alves Diniz e até para não cometer injustiças omitindo por acaso alguns nomes, lhe darei o total dos netos de minha mãe: cento e quinze (115) netos.
BISNETOS DE RITA ALVES DINIZ, DESCENDENTES DIRETOS DE JOAQUIM FERNANDES TEIXEIRA (TEIXEIRINHA) COM A ESPOSA MARIA MARIÊTA MOURA
1. José Mouradi Teixeira causou-se com Maria Verônica dos Santos e Teixeira e teve três filhos (bisnetos de dona Ritinha): Talles, Róger e Mayara.
2. Francisco Wildson Teixeira casou-se com Maria Avonide Aragão Teixeira e teve três filhos (bisnetos de dona Ritinha): Thaís, Tâmara, Thamíris.
3. Luiz Válter Moura casou-se com Osória Maria de Sousa Moura e teve quatro filhos (bisnetos de dona Ritinha): Válter Filho, Ana Bárbara, Luiz Gustavo e Pedro Henrique.
4. José Teixeira Neto casou-se com Janete Fernandes Teixeira e teve uma filha (neta de dona Ritinha): Natália Teixeira.
5. Rita Suêrly de Moura casou-se com Luis Cunha Siqueira e teve três filhos (bisnetos de dona Ritinha): Samara, Matheus Henrique e Lara Mariêta somando assim, quatorze netos meus, portanto, quatorze bisnetos de dona Rita Alves Diniz, minha inesquecível, mãe.
6. Antônio Clézio Moura Teixeira. *
Deus não me deu ainda nenhum bisneto, estou torcendo para que venha um em breve para aumentar ainda mais a minha descendência e por extensão a descendência, dessa pessoa fantástica, minha mãe e sua tia, Rita Alves Diniz. ORFANDADE DE MEUS PAIS E AVÓS. Minha mãe ficou órfã na hora que nasceu e meu pai com três anos de idade. Meu avô faleceu com 33 anos de idade no Sítio Tanque e avó três anos depois, assim foi a orfandade de meu pai e os seis irmãos que foram: Manoel Fernandes Teixeira, João Fernandes Teixeira, Antonio Fernandes Teixeira , as irmãs: Maria Fernandes Vieira, Tereza do Carmo Teixeira e Vitorina Teixeira de Moura.
Meu pai, sendo o caçula, foi morar com a irmã Tereza do Carmo até casar-se com Rita Alves Diniz minha querida mãe que faleceu deixando 115 (cento e quinze) netos com muita saudade da heroína avó que conduziu a numerosa família com dignidade e apreço.
Minha mãe ficou viúva muito nova, meu pai morreu com apenas 48 (quarenta e oito) anos de idade, deixando 14 (quatorze) filhos com a viúva Rita Alves Diniz, 10 (dez) dos 14 filhos eram menores de idade o que levava os parentes a fazerem o seguinte comentário:
“Como seria a situação de Ritinha para criar tantos filhos?” pagando renda de tudo que produzia, é aí que entra o poder de Deus, a viúva Ritinha tocou o barco para frente e venceu com o poder de Jesus Cristo.
Educou todos os filhos, rezando o terço à noite e o ofício na madrugada, assim fazia os filhos labutarem para vencer a batalha.
Como as filhas eram pequenas, Dona Ritinha designava um dos filhos (homem) para cozinhar cada semana, fazendo um rodízio entre eles e assim todos se tornaram mestres-cucas (cozinheiros exímios).
Na época as mulheres fiavam para fazer redes, o meu irmão Nenéu, o mais inteligente, aprendeu a fiar para ajudar a minha mãe,Isso só ocorria na semana em que ele era o cozinheiro.
O Nenéu pediu para comprar uma sanfona e logo depois aprendeu a tocar. Eu Teixeirinha iniciei como baterista e vocalista.
EM 1942, NENÉU FOI MORAR EM MATO GROSSO. Nenéu casou-se em 1942, e foi embora morar no Mato Grosso, foi quando me tornei tocador de fole, de verdade, ganhei muito dinheiro, juntei e me tornei comerciante em Cedro, logo depois, optei pela construção civil. Na cidade de Cedro construí cento e uma (101) casas, e, a ainda construiu 36 casas em Fortaleza;
EM 1950 ENTREI NA POLÍTICA. Em 1950, entrei na política e me elegi Vereador (27), novamente, elegi-me em 1958, e em 1962 me elegi Vice-Prefeito,(39) e em 1966 me elegi novamente Vereador. Encerrando a carreira política, me tornei Fazendário e me aposentei em 1987, como Auditor Fiscal do Tesouro Estadual.
Hoje, Teixeirinha é o filho de Ritinha Diniz mais bem sucedido e que conseguiu mais sucesso nos diferentes segmentos que abraçou, ao longo da caminhada da labuta da vida.
Voltando a Terra natal, no Sítio Umari-Torto, reconstruí o casarão e consegui através da Associação Francisco Antonio de Moura, nome do meu inesquecível sogro, diversos benefícios para aquela comunidade rural. Agora com oitenta e dois (82) anos, mudei-me para Fortaleza a onde moro com a família.
Casos e Contos Pitorescos. Na época que os coronéis tinham poder ilimitado que nem o próprio exército poderia entrar na propriedade da família Leal.
No ano de 1936, o governo liberou verba para construção de açudes comunitários, foi quando o líder do sítio São Vicente o senhor Tibúrcio Olau de Almeida conseguiu um deles, também conseguiram açudes Gabriel Diniz e João Leal, (Município de Jucás) todos contemplados com construção de açudes, iniciaram à construção utilizando tropas de jumento para realizar o transporte de terra para à construção das paredes dos açudes.
Foi aí que consegui o meu emprego, catando raiz na terra que os jumentos despejavam das caçambas era muito animado, pois eram 30 meninos catando raiz, existia muita poeira e minha roupa ficava vermelha. O senhor Olau tinha grande liderança, e logo juntou jumentos e operários em um rápido trabalho de construção do açude, quando os peritos do governo fiscalizaram o açude ficaram encantados e consideraram o açude São Vicente o primeiro lugar. Olau ficou credenciado a construir outros açudes. Gabriel Diniz iniciou a construção do açude Pé-de-Serra, e logo solicitou os serviços dos catadores de raiz, tornei-me a ser empregado.
Foram dois anos escassos de chuva e não se tinha outra opção para ganhar dinheiro. Como já falei a família Leal era perigosa, e na época já existia Moacir Leal, que comandava um grupo de capangas. João Leal não conseguiu operários para a construção do açude, foi então que Olau credenciado o construtor número um, foi procurado a empreitar a obra e a verba foi liberada em 1936, nessa época a verba já estava defasada, mesmo assim com a promessa de complemento da obra fechou o contrato.
Com a dificuldade de operários retardou o trabalho, e logo começaram as ameaças de João Leal dizendo que a última barreira do açude seria “aguada” com sangue de Olau. Ele ficou nervoso e decide sair de casa para evitar um confronto entre o inimigo. Com a notícia que o presidente Getúlio Vargas planejava fazer a colônia Federal de Dourados em Mato Grosso, Olau decide falar com Getúlio, e logo viajou para o Rio de Janeiro, chegando ao Rio consegue audiência com o presidente e lhe promete conseguir trezentas (300) famílias para levar até dourados, como na Hospedaria em Fortaleza já existia muitas pessoas, ele, Olau transformou-se em um agente para anotar as famílias que pretendiam ir para Dourados devido os três(3) anos de seca que assolaram o Ceará, para completar voltou para São Vicente, para colocar os familiares que desejassem fugir da seca.
NENÉU ACERTA PARA NAIR, FILHA DE OLAU, FUGIR. Foi nessa ocasião que meu irmão Nenéu que já namorava Nair há Três (3) anos decidiu pedir ela em casamento. Olau muito nervoso disse que não permitia esse casamento, argumentou que estava de saída para Mato Grosso e não deixava a filha no Ceará, outro argumento que Olau foi que a profissão de tocador de sanfona não é suficiente para sustentar uma filha dele. Nenéu falou para Olau “eu vou me casar com Nair”. Faltavam poucos dias para as trezentas (300) famílias viajar. Agora Nenéu acerta com Nair para fugir. Ora marcada para as doze (12) horas da noite, mas disse que trouxesse Toinha irmã de Nenéu, combinamos de esperar na mangueira que ficava logo atrás da casa de Nair, assim formamos um batalhão para o roubo da moça, foram, Toínha, Teixeirinha, Nenéu, Solon do Carmo e Antônio Vieira. Por volta de onze (11) horas aconteceu o mais engraçado, era época de manga e caiu uma manga do alto da mangueira que fez um grande barulho, foi quando Antonio Vieira correu gritando “Vaila minha Nossa Senhora!", foi uma grande risada da Toinha, porque na época ela era namorada do medroso. Antônio Vieira disse “eu pensei que fosse os guarda-costas de Olau”.
Mas na Hora marcada Nair saiu no portão. Nenéu e Toinha foram receber Nair, partimos com a fujona para São Nicolau, para a casa de Tio Seu Bino, esse foi o momento mais inesquecível porque a noiva já estava garantida.
Para encerrar essa historinha Nenéu casou com Nair e foi para o Mato Grosso e tornou-se o desbravador da Colônia Federal de Dourados, Catequizou índios, tornou-se topógrafo e loteou trinta (30) léguas de colônia que até hoje é considerado o maior assentamento do Brasil.
HISTÓRIA DE ANTÔNIO DO ANUM E O PODER DA NATUREZA. A história passada que contei antes dessa me fez lembrar de uma outra historinha de um cidadão chamado “Antônio do Anum” que era um trabalhador que só trabalhava cantando e tangia uma tropa de jumentos, carregando terra para construir a parede do açude de Gabriel Diniz.
Cada jumento tinha um nome, eu ainda me lembro de um deles porque aprendi o verso que era cantado em uma toada bonita que dizia assim: (meu jumento Manzagão que sempre anda na guia dá até pra se pensar que as caçambas estão vazias, mas quando puxo o caixão a terra que cai no chão é o morro que a parede cria). Esse era um dos versos que ele cantava e assim cada jumento tinha um verso e isso trazia alegria para todos que trabalhavam.
COMEU O PORCO DE CAROÇO. Mas o que mais me marcou, eu na época era um adolescente, foi o caso do porco de caroço que vou descrever:
Um cidadão chamado Melquíades, que morava no Sítio Lages matou um porco para vender aos “cassacos” de açudes, mas o animal estava completo de caroço, ninguém quis comprar, aí, o Antônio do Anum comprou o porco com caroço por dez mil réis. Todos os outros trabalhadores disseram: “VOCÊ VAI MORRER!”.
Ele apenas respondia: “PREFIRO MORRER DE BARRIGA CHEIA”. Ele arranjou nos terreiros, uma banda de um pote quebrada, comprou quatro quilos de sal de cozinha espremeu cinqüenta limões e misturou com o sal, retalhou o porco de caroço e colocou tudo misturado dentro da banda do pote (na salmoura) deixou a noite toda, no outro dia retirou da salmoura e colocou no sol. Por volta do meio dia ele fez um fogo e colocou para assar o porco com caroço que a medida que caia na brasa estalava igual a pipoca e sempre todo mundo a dizer: “Vai morrer, vai morrer!” eu que ainda era criança fiquei com aquelas palavras ecoando em minha mente:”Vai morrer, vai morrer, vai morrer!” que ainda rememoro esse episódio.
Terminado a construção do açude, todos os trabalhadores foram para seus lugares de origem. Logo depois apareceram diversos doentes de tumores na cabeça e os médicos atestaram que era provocado pela carne de porco com caroço (Cistocicose), passaram anos sem que as pessoas comecem carne de porco com medo da doença do caroço e eu lembrando sempre do coitado do Antônio do Anum: pensava com botões - com certeza já morreu faz tempo.
Mas, por incrível que possa parecer, eu fui à festa de São Raimundo em Várzea-Alegre em 1979, após 54 anos da construção do açude e ouvi um velho cantando vaquejada e achei que já o tinha visto e ouvido antes, perguntei a um senhor também idoso que estava próximo a mim: quem é esse homem? Como se chama? Ele é de Várzea-Alegre? Respondeu-me o senhor que aquele homem que cantava tinha o nome de Antônio do Anum, porque todo anum que ele pegava na lagoa de São Raimundo ele comia depois mudaram de nome dele para Antônio comedor de porco com caroço, essa mudança de nome ocorreu depois que ele participou da construção do açude do coronel Gabriel Diniz no Sítio Baxio, no Município de Cedro. Então, esse repentista é conhecido por esses dois nomes me contou o senhor octogenário, sem observar a minha perplexidade diante do seu relato. Agradeci ao senhor pelos nomes que me informou, pedi licença e fui abraçar Antônio do Anum, ou melhor, Antônio do porco de caroço.
Encerro esse resumo autobiográfico com a certeza de ter revelado, aqui, alguns registros de dados genealógicos nessa caminhada de mais de oito décadas. São minhas verdades apresentadas nas: “As Histórias de um Vencedor” que começaram a ser vivenciadas, no século passado, a partir dos anos de 1923. Hoje, tenho muito orgulho em poder fazer essa revelação, para relembrar esses fatos para meus filhos, netos e os demais familiares. Um esforço que compartilho, também, dedicando a todos nossos ancestrais.
Aqui, rogo a Deus que sempre nos ilumine.







