48. A Família Teixeira e Diniz

Data da publicação: 05/06/2005

 Autores: Brenna Diniz de Moura e José Caubí Diniz

Meu nome é Brenna Diniz de Moura, sou bióloga e natural da cidade do Crato, no estado do Ceará, onde moro até hoje. Sou filha de Maria Socorro Diniz de Moura e Gilberto Alexandre de Moura. Meu pai nasceu no Sítio Umari-Torto e minha mãe no Sítio Canadá, nos sertões de Cedro, interior Sul cearense. Hoje, muitos dos nossos familiares ainda residem naquelas terras agrícolas do estado. Por isso mesmo, acredito que as minhas raízes ainda permanecem ali apostadas, juntamente com as dos demais ancestrais.


Meu avô materno, Vicente Balbino Diniz, mais conhecido por Seu Bino, mudou-se de Várzea-Alegre, no final da década de 1930, para fixar residência nas novas terras adquiridas, as quais ele passou a chamar de Sítio Canadá. Essa propriedade se localizava entre os terrenos dos Sítios São Vicente e Umari-Torto, de propriedade da família Moura. A construção de casas, reforma do açude existente e construção de outra represa no local foram as suas primeiras providências.

Com maior armazenamento de águas naquelas terras, estava-se criando maiores alternativas agrícolas, inclusive para o plantio da cana-de-açúcar. Meu avô, ali, começava a realizar um grande sonho, edificar no sítio o engenho de mel, ou engenho de cana-de-açúcar e essa inovação nas atividades agrícolas naquele sertão, o fez ficar mais diferenciado e mais diversificado nas práticas agrícolas daqueles sítios.

Seu Bino era um agricultor e gostava da política. Foi Vereador do Legislativo de Cedrense, e se esforçou muito para melhorar as atividades do homem do campo. Tinha uma família grande, 18 filhos de dois casamentos e ainda criava com muito carinho e admiração a jovem Luíza Ramos de Lima. E, assim, eles viviam no campo, na mais completa harmonia. A educação escolar era ministrada ali mesmo nos sítios, pela filha de Chiquinho Moura, Juraci, que foi professora do município de Cedro e logo se tornou professora efetivada pelo Estado do Ceará. Outra professora que não posso deixar de citar é Maroli, filha de Fransquinho Moura, que foi também de grande importância para o ensino daquela localidade. Meu tio Caubí, que mora em Brasília, diz sempre com muito orgulho: Elas foram as minhas primeiras professoras.

Essa é a história dos nossos familiares que constará na página principal do Site Seu Bino. Um Site criado por José Caubi Diniz, como projeto de registros de dados genealógicos de nossas gerações, e que, em breve, poderá também, servir como um excelente ponto de encontro de nossos familiares. Por isso mesmo, eu, aqui de Crato, tenho o maior orgulho de estar fazendo essa página com o meu tio Caubí, em Brasília, porque sei da importância desse projeto virtual no processo de comunicação de nossas gerações passadas e presentes, nas diferentes localizações residenciais.

Esse trabalho se refere aos fatos históricos de nossos familiares que residiram ou que ainda moram naquele sertão, pois, meu tio Caubí esteve entre eles até os 14 anos de idade, deixando as terras em 1952 para morar em Cedro e fazer, ali, o curso do SENAI. Posteriormente, mudou-se para Fortaleza e, após haver ingressado na Aeronáutica, foi morar em Guaratinguetá, em São Paulo. Nessa caminhada, esteve na vida militar por cerca de 40 anos, e hoje é coronel aposentado daquela instituição e atualmente mora em Brasília.

Quando recebi o convite do meu tio para escrever essa história, senti-me contente e despertou em mim a curiosidade de conhecer o envolvimento entre a minha família materna e paterna, pois eles moravam em sítios vizinhos e tinham um bom relacionamento. Fico à vontade para – junto com o meu tio contar esses fatos, pois se referem a um passado vivido por nossos familiares, em parte a própria história em que meu tio foi personagem.

Veja abaixo o Gráfico de Cândido José e Raimunda Maria da Conceição.




        Moura e Diniz são famílias entrelaçadas e, ao analisarmos os antecedentes, vamos observar vários relacionamentos que envolvem estes seres, digamos que seriam famílias extensas. Quero citar o nome de um casal que eu considero de grande importância para a minha ascendência: Cândido José da Costa e Raimunda Maria da Conceição, que gerarão 7 filhos, dentre eles Tereza Cândida da Costa (mãe do meu avô materno, Seu Bino) e Joana Cândida da Costa (mãe da minha avó paterna), quer dizer meus avós eram primos legítimos e moravam em sítios vizinhos tendo, portanto, uma maior convivência. A senhora Joana Cândida da Costa casou-se com o senhor Manoel Gonçalves de Moura. Eles viviam no sítio Umari-Torto e tiveram 6 filhos, dentre eles alguns se casaram e ficaram morando naquela mesma localidade.

        Meus avós paternos herdaram, no início do século passado, parte daquelas terras, e ali passaram a criar animais e a cultivar algodão, arroz, milho e, em especial, banana, que, com os demais itens, se somavam à boa economia doméstica dos meus familiares, conseguindo criar 9 filhos. Minha avó paterna, Mourinha, gostava de costurar e fazer renda, já o meu avô Chiquinho era um grande artesão, ele fazia piteiras, balanço, colher de pau etc, e ainda tocava sanfona. O seu relacionamento com os filhos era um pouco rigoroso, mas um pai amigo, atencioso e muito inteligente. Era prestativo, aos vizinhos e parentes, e bom músico, tanto que, de vez em quando, convidavam-no para tocar sanfona na vizinhança e seus ritmos preferidos eram o xote e o baião.

Naquele lugar havia uma casa bastante animada, era a residência de Francisco Antonio de Moura (Fransquinho), casado com Floripes do Carmo Moura, que juntos tiveram 10 filhos. Era um casal simples de agricultores e a sua casa era sempre cheia: viviam de muitas festas, a dona da casa gostava de cantorias, forró e sempre convidava a vizinhança.

Raimundo Antonio de Moura, era o vizinho mais próximo do Sítio Canadá, conhecido como Raimundo de Viturina, casado com Glória Maria da Conceição, e tiveram 5 filhos. Era um casal muito organizado e trabalhador, eles tinham sempre os filhos ao seu lado trabalhando juntos na agropecuária.

Solon do Carmo Moura e Idelzuite Araújo de Moura também eram agricultores, sua casa era de muita fartura. A dona Idelzuite era uma cozinheira de mão cheia, todos que passavam por lá tinham que comer alguma coisa gostosa, e os seus doces de leite eram muito famosos.

Mas, os personagens dessa história são bem mais do que se possa imaginar. Por isso mesmo é que, dentre esses faltosos ilustres, rende-se aqui o nosso mais particular tributo de respeito ao primo e amigo Joaquim.

        Fernandes Teixeira, mais conhecido como Teixeirinha, filho de José Fernandes Teixeira e Rita Alves Diniz, irmã do meu avô materno, Seu Bino. Então, este sobrinho do meu avô nasceu no sítio Parnaíba, mas passou a residir no sítio Umari-Torto por vontade de Francisco Antonio de Moura, pai de Maria Marieta Moura, sua noiva. O casamento aconteceu no dia das bodas de prata do seu sogro, e neste mesmo dia casaram-se também Antônia Alves Diniz (irmã de Teixeirinha) e Mauro Moura (irmão de Marieta). O envolvimento entre a família Moura e Teixeira não parou por aí: depois de alguns anos a sua irmã caçula, Marieta Teixeira, casou-se com Maurílio Moura.






        Teixeirinha é um cidadão bastante inteligente e talentoso. Filho de agricultores, sempre mostrou capacidade para trabalhar com a terra. Aos treze anos já mostrava o seu talento na música. E não se acomodou por aí: ele foi sócio de um armazém de varejo com o seu primo José Teixeira, e apenas depois de dois anos já tinha o seu próprio negócio. Envolveu-se logo depois com a construção civil, e chegou a construir e a vender várias casas populares na cidade do Cedro. Aos 27 anos de idade já fazia parte da política da cidade, onde foi o vereador mais bem votado no ano de 1950 e permaneceu por algum tempo na política, tornando-se também vice-prefeito da cidade de Cedro. Depois de alguns anos, foi nomeado ao cargo de Fiscal de Tributos Estadual (1959), Tesoureiro da Delegacia Regional da Fazenda e Fiscal de Empresa (1964), cargo no qual permaneceu até 1987, quando se aposentou.

Hoje, Teixeirinha reside no sítio Umari-Torto, onde tem feito muitos benefícios para aquela comunidade: fundou a Associação Francisco Antônio de Moura, que conquistou para aquela comunidade água encanada, trator, beneficiadora de arroz, casa de farinha, posto de saúde etc. Não podemos deixar de falar de Salustiano Moura, Luiz de Moura e José de Moura que eram muito amigos do meu avô (Seu Bino).

Este artigo é o primeiro de uma série de outros que eu, daqui de Brasília, e a minha sobrinha Brenna Diniz de Moura, em Crato, estamos elaborando sobre a nossa família, nossos feitos e sobre o forte legado de valores deixados por nossos ancestrais. Ë, também um esforço para resgistrar muitas dessas informações, trazendo-as para o cotidiano dos nossos queridos jovens da família e, por último, relembrar nossas almas sobre esses valiosos fatos históricos conquistados por nossos antepassados. Que Deus nos ilumine!

Brasília, 5 de junho de 2005

Música: Lambada