62. "Trisavós do Sertão – Legado de Fé, Inteligência; e Amor à Família e Pátria, desde de 1790".

   No sertão do Centro-Sul do Ceará, muito antes da chegada da energia elétrica e da tecnologia, viveram nossos trisavós (–Manuel Duarte Passos casado com Maria Inez Passos. – Tomás Duarte de Aquino c/c Mariana Gomes de Aquino). Pessoas simples, firmes, de fé profunda. Com trabalho duro e união familiar, construíram os alicerces da nossa história.

     Em lugares como Belisa, São Vicente, Baixio, Assunção, Umari Torto e arredores, viviam os familiares dos pais de Cândido da Costa e de Raimunda da Conceição — raízes da nossa família. Seus próprios pais, nossos trisavós, nasceram por volta de 1790, sob o céu seco e estrelado que hoje cobre Cedro.

    A família vivia da terra. Eles eram agricultores e criadores, adaptados às secas e aos desafios da região. Usavam cavalos, burros, jumentos e carros de bois para se locomover, especialmente nas ocasiões festivas. Participavam das missas, novenas, batizados e rezas de terço com fé e alegria. A família era sempre o centro de tudo. Tinham uma presença ativa na vida comunitária e política local, com o mesmo compromisso com que cuidavam da roça e do gado. 

   O que herdamos deles vai além dos nomes. Recebemos a inteligência prática, a pele marcada de sol, os olhos atentos e carinhosos, a estatura e a espiritualidade. Valores que ainda vivem em nós.

    Naquela época, usava-se o Réis, moeda vinda do tempo do Brasil Colônia. Só em 1942 é que ela foi substituída pelo Cruzeiro. Mas mesmo com a troca de moedas, os valores morais e familiares permaneceram firmes.

    Hoje, mesmo com toda a tecnologia ao nosso redor, guardamos com carinho esse passado. Sentimos orgulho de quem veio antes e reconhecemos neles a base da nossa identidade.    

"Trisavós do Sertão – Legado de Fé, Inteligência; e Amor à Família e Pátria, desde de 1790“.


Genealogia Materna de José Caubi e seus irmãos – A Família Brito nos Sertões do Ceará

  Na fotografia antiga, já desbotada pelo tempo, estão os rostos serenos dos meus avós maternos, os Britos. Ao lado deles, todos os filhos e alguns genros — entre eles, minha mãe, Maria Cleta, em pé à direita da imagem, com o olhar firme de quem já trazia no semblante a promessa de uma vida, marcada pelo amor e pela coragem.

Várzea - Alegre. Família Brito. Sítio São Nicolau, 1921. Maria cleta aos 15 anos. A primeira, em pé, da direita para a esquerda. Nessa foto estão seus pais, os irmãos, os cunhados e o sobrinho Vicente.

    Eles viveram no Sítio São Nicolau, localizado a cerca de seis quilômetros da sede de Várzea Alegre, no coração dos sertões do Centro-Sul do Ceará. Aquela região, de terra seca mas generosa, abrigou por décadas os passos e os sonhos dessa gente simples, forte e profundamente ligada à terra. Por volta de 1870, os Britos fincaram raízes naquele solo, num tempo em que a vida era mais lenta, mais dura, mas talvez mais rica em valores essenciais.

    Tive o privilégio de conhecer bem meus tios daquele lado. Eram homens e mulheres de trabalho incansável. Acordavam com o canto do galo, antes do sol nascer, para cuidar da lavoura, tratar dos animais, preparar a terra. Com dedicação e respeito aos ciclos da natureza, plantavam arroz e algodão. A pecuária também era essencial: criavam cavalos, cabras, bois, suínos e galinhas, entre outros, que não apenas alimentavam a família, mas faziam parte da paisagem cotidiana.

    O transporte era o que a realidade permitia: cavalos, burros e jumentos. Em meio à aridez do sertão e às limitações do tempo, havia, no entanto, uma beleza serena no modo como viviam — uma beleza que nascia da fé, da união, do esforço compartilhado e da generosidade entre vizinhos e parentes.

    O que mais me marcou, no entanto, foi o espírito daquelas pessoas. Religiosos de fé firme, inteligentes, acolhedores e sempre prontos a ajudar. Viviam como comunidade, partilhando o pão, os sentimentos, os cuidados e as esperanças. Havia entre eles um profundo respeito pela palavra dada e pela dignidade do outro.

    Os Britos deixaram muito mais do que lembranças: deixaram valores. Mesmo ausentes, continuam presentes na nossa história familiar. Foram eles que nos ensinaram a andar com a cabeça erguida, a amar a terra, a valorizar a família e a honrar os compromissos. Mais do que qualquer posse, deixaram-nos a herança de um coração forte, leal e generoso.

   Essa é a raiz materna da qual descendo. Uma raiz fincada firmemente no sertão cearense, alimentada pelo trabalho, pela fé e pelo amor.

Do Sertão ao Planalto: a Jornada de um Coronel

     Nasci no coração seco e valente do Ceará, lá no sertão centro-sul, onde o sol se confunde com o destino e a terra dura ensina a ser homem cedo. Meu nome é José Diniz, e minha infância teve cheiro de roça, poeira nos pés e esperança nos olhos. Aos 15 anos, entre a enxada e o horizonte, tomei a decisão de buscar outros caminhos — e aos 18, entrei para a Força Aérea Brasileira, onde minha vida ganhou asas.


     A farda azul que vesti em 1957 se tornou uma extensão da minha pele. Comecei como aluno sargento, e com o tempo, a disciplina, os estudos e a vocação me levaram a escalar degrau por degrau até alcançar o posto de coronel. Foram mais de 40 anos de serviços prestados à pátria, passando por mais de 10 Unidades Militares, sendo transferido de estado em estado, onde cada pouso deixava um rastro de história.

   Casei-me com Fátima, mulher firme e doce, que soube ser alicerce nas tempestades e calmaria nos dias difíceis. Com ela tive quatro filhos — cada um nascido num canto diferente do Brasil, como se herdassem também a vocação de voar e de pertencer ao país inteiro. Tenho orgulho em dizer que formei todos eles e que, hoje, são pessoas independentes, dignas, seguindo seus próprios voos.

    A vida militar não me afastou dos estudos. Pelo contrário: me incentivou. Além do curso superior de Formação de Oficial da Aeronáutica, formei-me em Administração e fiz mestrado no ITA — uma conquista que só quem veio da roça e se viu um dia dando aula na UnB pode entender. Lecionei também em várias faculdades do Distrito Federal, dividindo com alunos o que aprendi na prática e na teoria.

"Igreja Nossa Senhora Aparecida - SP, em abril de 1958. Pagando uma promessa feita por meu amigo José Maria Albino de Lima, que aparece na foto (ao centro)."

   Tive a honra de servir em funções de destaque, inclusive na Presidência da República, sempre na área de informática, onde os códigos e sistemas se tornaram mais uma linguagem da minha trajetória. Fui pioneiro num tempo em que computadores ainda engatinhavam, e me mantive atento às transformações do mundo.

     A FAB foi minha casa, minha escola, meu campo de batalhas e alegrias. Nela vivi o valor da hierarquia, da missão cumprida, da honra sem alarde. Mas acima de tudo, sempre fui homem de família. Guardei no peito, junto às medalhas, o amor pelos meus — pelos que ficaram no sertão e pelos que vieram depois, em Brasília e além. 

Algumas fotos que relembram o período de quatro anos em que estive à disposição da Presidência da República, durante o governo do Presidente José Sarney.

             Brasília. Dez. 1987. Cumprimentos Natalinos Presidente Sarney aos Servidores e Assessores do Palácio do Planalto

    O Presidente Sarney governou o Brasil de 15 de março de 1985 a 15 de março de 1990. Nesse período, atuei, juntamente com mais dois oficiais — um da Marinha e outro do Exército — na implantação do projeto de automação e informatização da área de Processamento de Dados da Presidência da República.

Presidente Sarney e a esposa, Dona Marly.

   Nossa equipe era composta por cerca de 120 técnicos em Processamento de Dados e Eletrônica. Lembro-me de meu amigo, Robson Alcântara, engenheiro eletrônico formado pela UnB, que integrava o time de Informática.

Equipe de Oficiais da Aeronáutica à Disposição da Presidência da República (1985–1990): Assessores de Informática, Intendência e Pilotos Presidenciais

   Nosso trabalho abrangeu todas as dependências da Presidência, incluindo o Palácio do Planalto, o Palácio da Alvorada, o Palácio do Jaburu e a Granja do Torto.

"Solenidade comparecimento obrigatório, que exigia nossa presença por ocasião da apresentação de credenciais ao Presidente por parte dos Embaixadores de nações estrangeiras."

  - José Caubi Diniz é tenente-coronel da reserva da Aeronáutica, com pós-graduação pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Durante sua carreira, atuou como secretário da Comissão de Construção da Base Aérea de Anápolis e como chefe do Departamento de Processamento de Dados da Presidência da República, função que exerceu por quatro anos, durante o governo do presidente José Sarney. 
  Foi diretor da Faculdade Alvorada de Processamento de Dados de Brasília, onde permaneceu por dois anos. Atuou como professor contratado da Universidade de Brasília (UnB) por três anos, ministrando as disciplinas: Estratégia Administrativa, Administração de Recursos Humanos, Ecologia e, Métodos Quantitativos e Análise de Dados -

 
Brasília, 16 de maio de 2025.
              José Caubi Diniz

 

A Majestadee o sabiá