No sertão do Centro-Sul do Ceará, muito antes da chegada da energia elétrica e da tecnologia, viveram nossos trisavós (–Manuel Duarte Passos casado com Maria Inez Passos. – Tomás Duarte de Aquino c/c Mariana Gomes de Aquino). Pessoas simples, firmes, de fé profunda. Com trabalho duro e união familiar, construíram os alicerces da nossa história.
Em lugares como Belisa, São Vicente, Baixio, Assunção, Umari Torto e arredores, viviam os familiares dos pais de Cândido da Costa e de Raimunda da Conceição — raízes da nossa família. Seus próprios pais, nossos trisavós, nasceram por volta de 1790, sob o céu seco e estrelado que hoje cobre Cedro.
A família vivia da terra. Eles eram agricultores e criadores, adaptados às secas e aos desafios da região. Usavam cavalos, burros, jumentos e carros de bois para se locomover, especialmente nas ocasiões festivas. Participavam das missas, novenas, batizados e rezas de terço com fé e alegria. A família era sempre o centro de tudo. Tinham uma presença ativa na vida comunitária e política local, com o mesmo compromisso com que cuidavam da roça e do gado.
O que herdamos deles vai além dos nomes. Recebemos a inteligência prática, a pele marcada de sol, os olhos atentos e carinhosos, a estatura e a espiritualidade. Valores que ainda vivem em nós.
Naquela época, usava-se o Réis, moeda vinda do tempo do Brasil Colônia. Só em 1942 é que ela foi substituída pelo Cruzeiro. Mas mesmo com a troca de moedas, os valores morais e familiares permaneceram firmes.
Hoje, mesmo com toda a tecnologia ao nosso redor, guardamos com carinho esse passado. Sentimos orgulho de quem veio antes e reconhecemos neles a base da nossa identidade.
"Trisavós do Sertão – Legado de Fé, Inteligência; e Amor à Família e Pátria, desde de 1790“.
Na fotografia antiga, já desbotada pelo tempo, estão os rostos serenos dos meus avós maternos, os Britos. Ao lado deles, todos os filhos e alguns genros — entre eles, minha mãe, Maria Cleta, em pé à direita da imagem, com o olhar firme de quem já trazia no semblante a promessa de uma vida, marcada pelo amor e pela coragem.
Eles viveram no Sítio São Nicolau, localizado a cerca de seis quilômetros da sede de Várzea Alegre, no coração dos sertões do Centro-Sul do Ceará. Aquela região, de terra seca mas generosa, abrigou por décadas os passos e os sonhos dessa gente simples, forte e profundamente ligada à terra. Por volta de 1870, os Britos fincaram raízes naquele solo, num tempo em que a vida era mais lenta, mais dura, mas talvez mais rica em valores essenciais.
Tive o privilégio de conhecer bem meus tios daquele lado. Eram homens e mulheres de trabalho incansável. Acordavam com o canto do galo, antes do sol nascer, para cuidar da lavoura, tratar dos animais, preparar a terra. Com dedicação e respeito aos ciclos da natureza, plantavam arroz e algodão. A pecuária também era essencial: criavam cavalos, cabras, bois, suínos e galinhas, entre outros, que não apenas alimentavam a família, mas faziam parte da paisagem cotidiana.
O transporte era o que a realidade permitia: cavalos, burros e jumentos. Em meio à aridez do sertão e às limitações do tempo, havia, no entanto, uma beleza serena no modo como viviam — uma beleza que nascia da fé, da união, do esforço compartilhado e da generosidade entre vizinhos e parentes.
O que mais me marcou, no entanto, foi o espírito daquelas pessoas. Religiosos de fé firme, inteligentes, acolhedores e sempre prontos a ajudar. Viviam como comunidade, partilhando o pão, os sentimentos, os cuidados e as esperanças. Havia entre eles um profundo respeito pela palavra dada e pela dignidade do outro.
Os Britos deixaram muito mais do que lembranças: deixaram valores. Mesmo ausentes, continuam presentes na nossa história familiar. Foram eles que nos ensinaram a andar com a cabeça erguida, a amar a terra, a valorizar a família e a honrar os compromissos. Mais do que qualquer posse, deixaram-nos a herança de um coração forte, leal e generoso.
Essa é a raiz materna da qual descendo. Uma raiz fincada firmemente no sertão cearense, alimentada pelo trabalho, pela fé e pelo amor.
Do Sertão ao Planalto: a Jornada de um Coronel
Nasci no coração seco e valente do Ceará, lá no sertão centro-sul, onde o sol se confunde com o destino e a terra dura ensina a ser homem cedo. Meu nome é José Diniz, e minha infância teve cheiro de roça, poeira nos pés e esperança nos olhos. Aos 15 anos, entre a enxada e o horizonte, tomei a decisão de buscar outros caminhos — e aos 18, entrei para a Força Aérea Brasileira, onde minha vida ganhou asas.
A farda azul que vesti em 1957 se tornou uma extensão da minha pele. Comecei como aluno sargento, e com o tempo, a disciplina, os estudos e a vocação me levaram a escalar degrau por degrau até alcançar o posto de coronel. Foram mais de 40 anos de serviços prestados à pátria, passando por mais de 10 Unidades Militares, sendo transferido de estado em estado, onde cada pouso deixava um rastro de história.
Casei-me com Fátima, mulher firme e doce, que soube ser alicerce nas tempestades e calmaria nos dias difíceis. Com ela tive quatro filhos — cada um nascido num canto diferente do Brasil, como se herdassem também a vocação de voar e de pertencer ao país inteiro. Tenho orgulho em dizer que formei todos eles e que, hoje, são pessoas independentes, dignas, seguindo seus próprios voos.
A vida militar não me afastou dos estudos. Pelo contrário: me incentivou. Além do curso superior de Formação de Oficial da Aeronáutica, formei-me em Administração e fiz mestrado no ITA — uma conquista que só quem veio da roça e se viu um dia dando aula na UnB pode entender. Lecionei também em várias faculdades do Distrito Federal, dividindo com alunos o que aprendi na prática e na teoria.
Tive a honra de servir em funções de destaque, inclusive na Presidência da República, sempre na área de informática, onde os códigos e sistemas se tornaram mais uma linguagem da minha trajetória. Fui pioneiro num tempo em que computadores ainda engatinhavam, e me mantive atento às transformações do mundo.
A FAB foi minha casa, minha escola, meu campo de batalhas e alegrias. Nela vivi o valor da hierarquia, da missão cumprida, da honra sem alarde. Mas acima de tudo, sempre fui homem de família. Guardei no peito, junto às medalhas, o amor pelos meus — pelos que ficaram no sertão e pelos que vieram depois, em Brasília e além.
Algumas fotos que relembram o período de quatro anos em que estive à disposição da Presidência da República, durante o governo do Presidente José Sarney.
O Presidente Sarney governou o Brasil de 15 de março de 1985 a 15 de março de 1990. Nesse período, atuei, juntamente com mais dois oficiais — um da Marinha e outro do Exército — na implantação do projeto de automação e informatização da área de Processamento de Dados da Presidência da República.
Nossa equipe era composta por cerca de 120 técnicos em Processamento de Dados e Eletrônica. Lembro-me de meu amigo, Robson Alcântara, engenheiro eletrônico formado pela UnB, que integrava o time de Informática.








