61. A Árvore Genealógica dos Cândidos da Costa: Legado Familiar no Sul do Ceará

 

Por José Caubi Diniz, 

Brasília, outubro de 2024 

   Os Cândidos da Costa são uma família cujas raízes se estendem profundamente pelo sul do Ceará, especialmente nas regiões de Cedro, Várzea Alegre e Lavras da Mangabeira. A história dessa ilustre linhagem teve início com meus trisavós, Manoel Duarte Passos e Maria Inez Passos, ambos nascidos no final do Século XVIII. Eles habitavam as terras dos sítios hoje conhecidos como Belisa, São Vicente, Umari Torto e Assunção. O casal teve sete filhos, mas aqui concentro-me no primogênito, Cândido José da Costa, e sua esposa, Raimunda Maria da Conceição, meus bisavós. 

   No início do século XIX, Cândido e Raimunda Conceição fundaram uma descendência que deixou uma marca indelével na história local. Seus sete filhos, que incluem meus avós e tios-avós, formam o cerne da vasta árvore genealógica dos Cândidos da Costa:  

1. José Gonçalves da Costa (pai de Alcides);  

2. Maria Cândida da Costa (mãe de Gabriel);  

3. Tereza Cândida da Costa (mãe do meu pai, Seu Bino);  

4. Joana Cândida da Costa (mãe de Mourinha); 

5. Antônia Cândida da Costa (mãe da minha madrasta, Guedinha); 

6. Vicente Balbino da Costa (falecido ainda jovem) e  

7. João Cândido da Costa (pai do Dr. Cândido da Costa, primeiro médico de Cedro).

  Todos nascidos entre 1801 e 1900, esse grupo moldou o destino das terras em que viveram, com ramificações que se espalharam pelas localidades de Cedro, Várzea Alegre e Lavras da Mangabeira. 


Expansão e Contribuições Familiares 


   Ao longo das décadas, os filhos de Cândido e Raimunda se casaram e se estabeleceram em diversas regiões. Minha avó Tereza Cândida casou-se duas vezes: primeiro com Raimundo Nonato Bezerra e, depois, com Manoel Félix Diniz (pai de Seu Bino), o que contribuiu para a formação de parte de nossa grande família. Cada descendente desempenhou papel importante na história da região. Um exemplo notável é João Cândido da Costa, que foi o fundador da cidade de Cedro, com a doação de parte de suas terras para a construção do município. 

  Outros membros da família também deixaram legados significativos. Cândido Acrísio Costa, por exemplo, é autor do renomado livro Gente da Gente, publicado em 1974. Com 477 páginas, a obra eterniza a genealogia e história da nossa família. 


Minha avó Tereza Cândida, uma pessoa amável que nasceu no Sítio Belisa 


   Minha avó Tereza Cândida da Costa tinha muito orgulho dos netos, principalmente dos filhos do seu primogênito, Nonato Bezerra. Ela se sentia envaidecida de ser avó de celebridades, como ela dizia. Nas décadas de 1960 a 1990, época em que morei em Fortaleza, Rio de Janeiro e Curitiba, convivi muito com meus primos de descendência de Teresa Cândida e Raimundo Bezerra.

   Esses primos eram Madre Bezerra, cujo nome de nascimento era Senhorinha Alves Bezerra, que exerceu relevantes serviços religiosos na capital paulista; na área política, Dr. Vicente Bezerra Neto – ex-vice-governador, deputado federal, senador, jornalista – tudo por Mato Grosso; Dr. João Clímaco Bezerra – bacharel, escritor de várias obras, jornalista de gabarito e membro da Academia Cearense de Letras; Tereza Teresita Bezerra – professora, uma intelectual a serviço da cultura (os filhos de Carlos Jereissati estão entre seus exalunos, como Tasso, exgovernador do Ceará e senador da República); Dr. Raul Alves Bezerra – desembargador no Estado de Mato Grosso por vários anos. 

  Essas memórias nos levam aos feitos fantásticos também de muitos sobrinhos e netos de Tereza Cândida, como Olau e Carlos Menezes, e centenas deles dessa descendência dos Cândidos da Costa.

 

Tibúrcio Olau de Almeida 


  Entre os Cândidos da Costa, Tibúrcio Olau de Almeida, filho de Félix Alexandre de Almeida, irmão de minha bisavó Raimunda Maria da Conceição, destaca-se como uma figura central. Foi o vereador mais votado de Cedro e exerceu, por várias vezes, a presidência da Câmara Municipal. Seu prestígio político levou-o a ser credenciado pelo presidente Getúlio Vargas para atuar no Departamento Nacional Contra as Secas (DNCS), implementando importantes obras hídricas no Ceará. 

  Olau construiu cerca de 10 açudes na região, incluindo os de São Vicente, Umari Torto e o Baixio. Seu trabalho foi tão relevante que se tornou responsável por grandes projetos de combate às secas no Nordeste, principalmente no Ceará. Participou da comissão de estudos da construção do açude de Orós, que só foi edificado no governo do Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira (1956-1961), na década de 1950. Acredito que Olau de Almeida e os especialistas, à época, usaram técnicas que tenham mexido com o ecossistema da estiagem na região e que, por isso, nunca mais vamos presenciar o fenômeno da falta de chuva como ocorreu na Grande Seca de 1877-1879, período em que, estima-se, morreram cerca de 500.000 pessoas no Nordeste, sendo o Ceará um dos estados mais atingidos. Certamente, foram estratégias governamentais que hoje beneficiam milhões de pessoas na região e em todo o País.  

   No entanto, a crescente demanda por verbas para construções na região gerou tensões e ameaças à segurança de Olau. No final da década de 1930, foi convidado a liderar a fundação da Colônia de Dourados, em Mato Grosso do Sul, onde ajudou a estabelecer a infraestrutura da cidade. Ele fez parte do primeiro grupo de imigrantes que ali chegou. 

 
Tibúrcio Olau de Almeida e sua esposa, MariaSilva de Almeida. 
À esquerda, Manoel Fernandes Teixeira e Nair Almeida e Silva.        

   Ainda nesse período, Olau vendeu suas terras do Sítio Umari Torto para meu pai, Vicente Balbino Diniz, que as denominou de Sítio Canadá. Seguiu para Cuiabá, Mato Grosso e, posteriormente, em Dourados, continuou sua trajetória de liderança, como político e depois como juiz de paz. Hoje, seu nome está presente em avenidas e praças da cidade, como um símbolo de sua contribuição ao desenvolvimento da região Centro-Oeste. Muitas informações e dados aqui me foram fornecidos pelos netos desse nobre Cândido da Costa: Sávio Domingos Teixeira, morador do Rio de Janeiro, e Tibúrcio Olau de Almeida Neto, que reside em Ji-Paraná, Rondônia. 

   Lembro-me de que, no Livro Gente da Gente, o autor Cândido Acrísio da Costa lhe faz referência (homenagem póstuma, página 406): 

Tibúrcio Olau de Almeida, foi, sem dúvida, um grande líder natural da família. Ele inspirava confiança aos familiares de modo geral e absoluto, dado o seu alto conceito e a sensatez reconhecida. Político de muito prestígio, foi sempre o vereador mais votado em Cedro e quase sempre ocupava o elevado cargo de Presidente da Câmara. Homem honrado e honesto a toda prova, por cujas virtudes mereceu o respeito e o acatamento dos familiares e dos inúmeros amigos. As preces e muitas saudades dos familiares, parentes e amigos. 

 Olau de Almeida, além das qualidades já mencionadas, foi pai do segundo líder religioso da família, o padre Olavo de Almeida, que atuou em Fortaleza e em São Paulo. 

 Pode-se dizer que seu espírito trabalhador e engajado em ações vanguardistas voltadas a amenizar a estiagem no Nordeste – com obras que ainda hoje podem ser consideradas inovadoras – junto com sua reconhecida honestidade, certamente o levaram a ganhar o reconhecimento do presidente da República, que obteve ajuda importante na implementação de políticas públicas inovadoras e relevantes.  


Carlos Menezes Diniz: Exemplo de Empreendedorismo e Dedicação 


   Assim como nosso primo Tibúrcio Olau, Carlos Menezes Diniz traçou um caminho de sucesso movido pela dedicação inabalável. Formado em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Carlos se destaca até os dias atuais como um dos maiores pecuaristas do estado potiguar, com uma carreira sólida no agronegócio. Fundador das Granjas CMD Ltda., sua empresa tornou-se referência na criação de frango de corte e na pecuária de gado Nelore. O sonho que começou na década de 1970, quando Carlos deixou a Aeronáutica, no posto de major, continua a ser uma trajetória de sucessos no ramo empresarial. 

   Éramos quatro militares de carreira da Aeronáutica: Antonio Viana Diniz, meu cunhado Otacílio Nascimento, Carlos e eu, José Diniz. Ainda havia o irmão Raimundo Diniz, que era soldado na Base Aérea de Fortaleza. A decisão de Carlos de deixar a carreira militar foi, na época, motivo de tristeza, porque pareceu desmanchar um grupo que deixava a família orgulhosa e envaidecida, especialmente o pai, Seu Bino. Com o tempo, porém, percebemos que Carlos fez uma escolha acertada, já que sua nova atividade foi extremamente promissora e, apesar de focada na família, continua a expandir seu frutos, sempre positivos, para uma gama muito grande de pessoas, com geração de empregos e de renda para inúmeros profissionais.  

  Sempre em busca de excelência, Carlos moderniza suas propriedades, adota tecnologias inovadoras, como o uso de energia solar nas granjas e fazendas. Seu pioneirismo não para por aí: é o responsável pela construção do primeiro abatedouro da região, cumprindo rigorosas normas governamentais e trazendo desenvolvimento ao setor local. A paixão por inovação e qualidade o impulsiona a enfrentar os maiores desafios, sempre com visão de futuro. 

     Na década de 1960, Carlos toma uma decisão que mudaria a história de nossa família. Ao adquirir uma casa em Cedro, ele não apenas garante um lar, mas também atende a uma das maiores preocupações de nosso pai, Seu Bino: garantir a educação dos filhos. A casa, estrategicamente localizada próxima à igreja, não só facilitava a rotina familiar, como também fortalecia os laços de fé e união, especialmente para nossa madrasta, Guedinha, e nossa irmã Luiza Ramos. A harmonia e o espírito comunitário floresciam naquele ambiente, fortalecendo as amizades e os vínculos familiares. 

      Ao longo de sua vida, Carlos tem sido um pilar de apoio para nossa família. Ele está à frente na busca por soluções para os maiores desafios enfrentados por nossos pais e nunca hesita em nos ajudar quando precisamos. Lembro com carinho das vezes em que ele acolheu familiares em Natal, propiciando conforto, educação e oportunidades para todos. Quando nossa irmã Maria Humbertina e seu marido, Luiz Teixeira, faleceram, Seu Bino, Guedinha e Carlos receberam os quatro filhos – Ana Cleta, Josuel, Vicente e Marta – como se fossem seus, oferecendo-lhes todo o apoio necessário. Hoje, eles são profissionais independentes e bem-sucedidos no Rio Grande do Norte: um é administrador, outra, professora concursada do Estado e os outros dois, comerciantes. São um verdadeiro orgulho da família, fruto de uma criação baseada em estudo, formação religiosa, trabalho e no lema "um por todos e todos por um". E, entre todos, Carlos Menezes Diniz sempre se destaca como o maior de um grupo já formado por figuras proeminentes da família. 

    Nos últimos anos, Carlos também declara sua devoção às nossas raízes ao investir cerca de um milhão de reais na revitalização do Sítio Canadá, nossa propriedade familiar. Ele vem transformando o local em um refúgio acolhedor para a família e os amigos, além de ali expandir as operações da CMD, dedicando um novo módulo à criação de gado Nelore, com uso de irrigação e energia solar. Esse compromisso com a inovação e o progresso, sem perder de vista os valores familiares, é o que o distingue. 

     Carlos Diniz expressou recentemente o desejo de reestruturar a pista de pouso de Cedro, com o objetivo de receber aeronaves de pequeno e médio porte, comprometendo-se a arcar com todas as despesas e a manutenção. Essa obra traria enormes benefícios à comunidade, especialmente em situações de emergência. Recordo-me de que, em 10 de agosto de 1981, quando meu pai faleceu, viajei de Brasília para Fortaleza de avião e, de lá, segui em uma aeronave de pequeno porte até Cedro, com um pouso perfeito na pista original. Diversos outros casos de transporte urgente de pacientes para hospitais em Fortaleza ou cidades vizinhas também foram viabilizados no local. Além disso, Carlos também utilizaria a pista reformada por ele em suas viagens de negócios. Infelizmente, as forças políticas impediram o projeto, preferindo a construção de um conjunto habitacional no local, o que, em minha opinião, deixou Cedro em desvantagem em relação às cidades vizinhas. 

   As ações de Carlos eram tão relevantes para a comunidade que já em 1974, há 50 anos, que provocavam merecidos elogios públicos. Um exemplo é a moção proferida por Cândido Acrísio Costa em seu livro Gente da Gente, na página 371:

Carlos Menezes Diniz é, acima de tudo, um homem de virtudes. Como filho amoroso, enteado dedicado, esposo exemplar e pai cuidadoso, ele inspira todos à sua volta. Suas ações não são apenas palavras em um papel, mas gestos concretos que ecoam no coração de quem o conhece. 

 

O Legado de Família 


   A história dos Cândidos da Costa é uma história de perseverança, liderança e contribuições significativas para a sociedade. Desde as origens humildes nos Sítios de Cedro, Lavra de Mangabeira e Várzea Alegre até as conquistas em várias partes do Brasil, essa família vem deixando uma marca indelével na história do Ceará e além. Seja por meio das obras políticas de Tibúrcio Olau, da cultura perpetuada por Cândido Acrísio Costa, seja pelo empreendedorismo visionário de Carlos Menezes Diniz, o legado dos Cândidos da Costa continuará vivo nas gerações futuras. 

   Estamos indo para o quarto século de trabalho afetuoso não só pelo núcleo familiar, mas pelo Estado do Ceará e pelo País, atitude que marca toda a descendência de Manoel Duarte Passos e Maria Inez Passos, Cândido José da Costa e Raimunda da Conceição, que geraram e educaram filhos empreendedores, responsáveis e conscientes de sua capacidade de interferir positivamente no mundo em que habitamos. Ao revisitar esses fatos, é inevitável sentir o mesmo orgulho que Seu Bino sentia, além de muita gratidão pela sorte de haver nascido entre pessoas com essas qualidades, e mais ainda: de ter sido educado e amado por elas. 

   Isso é o que move a elaboração deste artigo, que celebra não apenas os feitos de nossa família, mas também o compromisso com a tradição, o trabalho árduo e o amor pelas nossas origens. Que as próximas gerações se inspirem em seus antepassados e mantenham vivas as histórias e o espírito que nos trouxeram até aqui.

Autor: José Caubi Diniz, nascido em 1938 no Sítio São Nicolau, Várzea Alegre, Ceará, é tenente-coronel aposentado da Aeronáutica, formado em Administração de empresas pela Universidade Católica de Goiás e pós-graduado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Foi secretário da Comissão de Construção da Base Aérea de Anápolis, chefe da Informática da Presidência da República, diretor da Faculdade Alvorada de Processamento de Dados do Distrito Federal e professor contratado da Universidade de Brasília (UnB). 

Referências: 

Gente da Gente, livro de Cândido Acrísio da Costa, 1974. 

Site Seubino – Seu Bino 

Colaboração de dados de Vicente Teixeira, Domingos Sávio Teixeira e Tibúrcio Olau Almeida Neto. 

                                  Editado no Site por Brenno Viana Diniz Sampaio




Disparada, Jair Rodrigues.